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Como o processo de product discovery ajuda a validar hipóteses tecnológicas antes de escalar investimento em um projeto de P&D, reduzindo o risco de construir algo que ninguém precisa.

Product discovery em P&D: validar antes de escalar investimento

Um padrão recorrente discutido ao longo desta série é o risco de investir tempo e recurso significativo em um projeto técnico sofisticado que, ao final, não resolve um problema real de mercado. Product discovery é a prática que existe justamente para reduzir esse risco antes que o investimento maior aconteça.

O que é product discovery

Product discovery é o processo estruturado de investigar e validar hipóteses sobre um problema e sua possível solução antes de comprometer recurso significativo em desenvolvimento pleno. Diferente de simplesmente decidir construir algo com base em intuição ou pedido de um único cliente, discovery busca evidência mais ampla e sistemática de que aquele problema é real e relevante o suficiente para justificar o investimento.

Por que isso importa especialmente em P&D

Projetos de pesquisa e desenvolvimento envolvem, por definição, incerteza técnica sobre a solução. Isso não deveria significar incerteza também sobre se o problema que a solução pretende resolver é real. Separar essas duas fontes de incerteza, técnica e de mercado, e validar a segunda antes de investir pesadamente na primeira, é o que o product discovery busca viabilizar.

As etapas centrais de um processo de discovery

Um processo de discovery bem estruturado costuma incluir entrevistas com potenciais usuários ou clientes para entender a dor real por trás do problema, testes rápidos e baratos de conceito, como protótipos não funcionais ou simulações, para validar se a direção proposta ressoa com quem enfrentaria aquele problema, e análise de alternativas já existentes no mercado, entendendo por que elas não resolvem completamente a questão identificada.

Como isso se conecta a innovation accounting

O conceito de innovation accounting, discutido anteriormente nesta série, se apoia diretamente em discovery: as métricas de aprendizado validado que caracterizam esse tipo de medição vêm justamente do processo de testar hipóteses de mercado antes de escalar investimento, o que é exatamente o que discovery estrutura de forma sistemática.

O erro de pular discovery para “economizar tempo”

Times sob pressão de entrega costumam ver discovery como uma etapa que atrasa o início do desenvolvimento real, optando por pular direto para a construção com base em suposições não validadas. Esse atalho frequentemente custa mais tempo no longo prazo, quando o projeto avança significativamente antes de descobrir que a premissa inicial sobre o problema estava equivocada.

Discovery não é exclusividade de produtos digitais

Embora o termo tenha origem forte em produtos de software, o princípio se aplica igualmente a projetos de P&D em qualquer setor: antes de investir pesadamente no desenvolvimento de um novo processo industrial ou uma nova formulação, validar com potenciais usuários internos ou externos se aquele problema específico realmente justifica a solução proposta reduz o mesmo tipo de risco discutido para produtos digitais.

Como conectar discovery à governança de portfólio

Empresas que já têm um comitê de inovação ou processo de gestão de portfólio, discutidos anteriormente nesta série, se beneficiam de exigir alguma evidência de discovery antes de aprovar recurso significativo para um novo projeto, tratando essa validação inicial como um critério explícito de priorização, não como uma etapa opcional deixada a critério de cada time individualmente.

Um primeiro passo simples

Times que nunca praticaram discovery de forma estruturada podem começar com algo simples: antes de iniciar qualquer novo projeto de porte relevante, realizar ao menos cinco conversas com potenciais usuários ou clientes sobre o problema que o projeto pretende resolver, documentando o que foi aprendido antes de avançar para a fase de desenvolvimento pleno. Esse mínimo já reduz significativamente o risco de investir com base em uma suposição nunca testada.

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