Quando se fala em P&D, a imagem mental predominante costuma ser de laboratórios, linhas de produção ou times de engenharia testando protótipos físicos. Empresas de serviços, sem esse tipo de estrutura, frequentemente concluem, de forma equivocada, que não têm nada parecido com pesquisa e desenvolvimento acontecendo internamente.
Por que serviços também geram P&D elegível
O critério central da Lei do Bem e de instrumentos de fomento como a FINEP não é a existência de um laboratório físico, é a presença de incerteza técnica real que exige investigação sistemática para ser resolvida. Empresas de serviços financeiros, logística, consultoria especializada e outros setores intensivos em processo e dados frequentemente enfrentam esse tipo de incerteza, ainda que de natureza diferente da indústria tradicional.
Exemplos de P&D em serviços financeiros
Desenvolvimento de modelos proprietários de avaliação de risco de crédito, criação de algoritmos de detecção de fraude adaptados a padrões específicos de comportamento de clientes, e desenvolvimento de novos produtos financeiros que exigem modelagem atuarial ou estatística original são exemplos de atividades que podem se qualificar como P&D dentro do setor financeiro.
Exemplos de P&D em logística e serviços operacionais
Empresas de logística que desenvolvem algoritmos próprios de roteirização, considerando variáveis específicas da própria operação que soluções padrão de mercado não capturam adequadamente, ou que criam modelos de previsão de demanda adaptados a padrões particulares de seus clientes, também realizam desenvolvimento experimental elegível.
O papel dos dados como matéria-prima de P&D em serviços
Enquanto a indústria trabalha com materiais físicos, empresas de serviços intensivas em dados frequentemente têm, nos próprios dados que já coletam, a matéria-prima de seus projetos de P&D. Desenvolver um modelo analítico original para resolver um problema específico do negócio, com resultado incerto até a validação, se qualifica pela mesma lógica de incerteza técnica aplicada a qualquer outro setor.
Por que esse tipo de empresa costuma subestimar sua elegibilidade
A ausência de um departamento formalmente batizado de “P&D” faz com que empresas de serviços atribuam esse tipo de trabalho a áreas como “analytics”, “produto” ou “risco”, sem nunca associar essa atividade ao conceito de pesquisa e desenvolvimento previsto na legislação. O resultado é o mesmo padrão já discutido para outros setores: atividade elegível existe, mas nunca foi documentada como tal.
Como identificar esse tipo de atividade internamente
O mesmo teste de incerteza técnica discutido para desenvolvimento de software se aplica aqui: a equipe sabia, de início, exatamente como resolver o problema, ou precisou testar abordagens diferentes até chegar a um resultado válido? Projetos analíticos ou de modelagem que passaram por essa incerteza real são bons candidatos a uma análise mais detalhada de elegibilidade.
Documentação para projetos de serviços
Diferente de projetos industriais, que dependem de laudos técnicos, projetos de P&D em serviços se documentam de forma parecida com projetos de software: registros de versões de modelos testados, documentação de metodologia estatística ou analítica considerada e descartada, e evidência de validação do modelo final contra dados reais.
Vale revisar o portfólio de projetos analíticos e de dados
Empresas de serviços que já têm times de dados, risco ou produtos digitais bem estabelecidos, mas nunca conectaram esse trabalho a incentivos fiscais de P&D, devem revisar especificamente os projetos que envolveram modelagem original e validação incerta de hipóteses, buscando identificar quanto desse trabalho já se qualificaria para benefícios como a Lei do Bem, caso devidamente documentado.




