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Onde a inteligência artificial generativa já está gerando ganhos concretos em projetos de pesquisa e desenvolvimento, além do hype genérico em torno do tema.

IA generativa em P&D: onde ela já gera ganhos reais

Poucos temas geram tanto entusiasmo genérico quanto inteligência artificial generativa, o que torna difícil separar aplicação real de discurso vazio. Dentro de projetos de pesquisa e desenvolvimento especificamente, alguns usos já mostram ganho concreto, enquanto outros continuam mais promessa do que prática consolidada.

Onde IA generativa já ajuda de forma concreta

Aceleração de revisão de literatura técnica e científica, ajudando equipes a mapear rapidamente o estado da arte de um problema antes de decidir a direção de um projeto, é um dos usos mais consolidados hoje. Geração de código para tarefas de prototipagem rápida, permitindo que equipes técnicas testem hipóteses de forma mais veloz antes de investir tempo em uma implementação completa, é outro uso com ganho real já demonstrado.

Simulação e geração de hipóteses

Em áreas como química e materiais, modelos generativos têm sido usados para sugerir novas combinações moleculares ou composições de materiais com propriedades desejadas, reduzindo o espaço de busca que pesquisadores precisam testar experimentalmente. Isso não substitui a validação experimental, mas acelera significativamente a fase de geração de hipóteses candidatas.

Documentação técnica e memorial descritivo

Um uso mais prosaico, mas com impacto direto no tema desta série, é o apoio de IA generativa na organização e redação de documentação técnica de projetos de P&D, incluindo memoriais descritivos usados para sustentar benefícios como a Lei do Bem. Isso não substitui a necessidade de que a descrição reflita com precisão a realidade técnica do projeto, mas pode acelerar a produção de uma primeira versão do documento a partir de notas técnicas já existentes da equipe.

Onde o entusiasmo ainda supera a aplicação real

Substituir completamente a validação experimental por simulação gerada por IA, sem nenhuma verificação física ou empírica posterior, continua sendo um risco em áreas onde o custo de erro é alto, como saúde ou segurança industrial. Empresas que tratam a saída de um modelo generativo como resultado definitivo, sem validação adicional, correm risco real de tomar decisões técnicas baseadas em alucinações do próprio modelo.

O risco de usar IA generativa sem gerar P&D elegível

Um ponto de atenção específico para quem usa a Lei do Bem: aplicar uma ferramenta de IA generativa já pronta de mercado, sem nenhum desenvolvimento ou adaptação técnica relevante, não caracteriza P&D elegível por si só, mesmo que o resultado pareça inovador. A elegibilidade depende de haver incerteza técnica genuína no uso ou na adaptação da ferramenta ao problema específico da empresa, não apenas do fato de a tecnologia em si ser recente.

Quando o uso de IA generativa pode gerar despesa elegível

Se a equipe precisa desenvolver um processo próprio de ajuste fino (fine-tuning) de um modelo para um caso de uso muito específico, sem garantia prévia de que a acurácia necessária seria alcançável, esse trabalho tende a envolver incerteza técnica real e pode se qualificar como desenvolvimento experimental, de forma parecida com outros projetos de machine learning já discutidos nesta série.

Como avaliar se vale investir em um caso de uso específico

Antes de adotar IA generativa em um processo de P&D, vale perguntar: o ganho de velocidade ou qualidade justifica o esforço de integração e o risco de erro do modelo para esse caso específico? Aplicar a tecnologia de forma genérica, sem esse questionamento, tende a gerar mais ruído do que valor real no processo de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

Vale experimentar com critério, não com pressa

Empresas que ainda não usam IA generativa em seus processos de P&D não precisam se apressar a adotar a tecnologia em todo lugar de uma vez. Um piloto controlado em uma tarefa específica, como revisão de literatura técnica ou apoio à documentação, permite avaliar o ganho real antes de expandir o uso para etapas mais críticas do processo de pesquisa.

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