Ao lado de setores mais tradicionalmente associados a fomento tecnológico, como indústria e biotecnologia, a economia criativa vem ganhando espaço crescente entre as prioridades de financiamento da FINEP, reconhecendo que games, audiovisual e cultura digital também envolvem desenvolvimento tecnológico genuíno.
O que caracteriza economia criativa
Economia criativa é o conjunto de atividades econômicas que têm a criatividade e a propriedade intelectual como principal insumo de valor, incluindo setores como games, audiovisual, música, moda e design. Diferente da percepção de que se trata apenas de produção artística, essas indústrias frequentemente envolvem desenvolvimento técnico sofisticado, especialmente em games e em tecnologias de produção audiovisual.
Por que games se qualificam para fomento tecnológico
O desenvolvimento de um jogo digital moderno envolve programação de motores gráficos, inteligência artificial para comportamento de personagens não jogáveis, e otimização de performance para diferentes plataformas, atividades que, seguindo o mesmo critério de incerteza técnica discutido ao longo desta série, frequentemente se qualificam tanto para fomento da FINEP quanto para benefícios como a Lei do Bem.
Áreas de fomento dentro da economia criativa
Editais têm contemplado desenvolvimento de tecnologia própria para produção de jogos e experiências interativas, tecnologias de realidade virtual e aumentada aplicadas a conteúdo audiovisual, e ferramentas de produção digital que ampliam a capacidade de estúdios brasileiros de competir internacionalmente com produções de maior orçamento.
O papel do Fundo Setorial do Audiovisual
Assim como outros setores discutidos anteriormente nesta série contam com fundos setoriais próprios, o audiovisual conta com mecanismos específicos de fomento, incluindo o próprio Fundo Setorial do Audiovisual, que financia produções e desenvolvimento tecnológico conectado a essa cadeia produtiva, complementando o que a FINEP oferece por meio de seus próprios editais.
A conexão entre economia criativa e exportação
Games e conteúdo audiovisual brasileiro têm crescente potencial de exportação, conectando-se ao tema de fomento à internacionalização discutido anteriormente ao tratar da Apex-Brasil. Estúdios que desenvolvem tecnologia própria e conseguem escalar produção para mercados internacionais representam um caso de sucesso que combina inovação tecnológica com geração de divisas para o país.
Como isso se conecta à Lei do Bem
Estúdios de games e produtoras de tecnologia audiovisual que desenvolvem motores gráficos próprios, algoritmos de renderização, ou ferramentas proprietárias de produção podem considerar essas despesas de desenvolvimento como elegíveis para a Lei do Bem, seguindo a mesma lógica discutida para desenvolvimento de software em geral ao longo desta série, desde que exista incerteza técnica genuína no desenvolvimento realizado.
O desafio de comunicar mérito técnico em um setor criativo
Empresas de economia criativa que submetem propostas à FINEP enfrentam um desafio de comunicação parecido com o discutido para outros setores menos tradicionais: convencer avaliadores de que o trabalho criativo envolve, de fato, desenvolvimento técnico com incerteza real, e não apenas produção de conteúdo usando ferramentas já disponíveis no mercado.
Vale considerar esse caminho para estúdios em crescimento
Estúdios de games e produtoras audiovisuais brasileiras em fase de crescimento, que já desenvolvem tecnologia proprietária relevante, mas nunca consideraram fomento tecnológico tradicional como uma opção viável, devem revisar os editais específicos de economia criativa da FINEP, reconhecendo que seu trabalho técnico pode se qualificar da mesma forma que o de empresas de outros setores mais tradicionalmente associados à inovação.




