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O que empresas devem priorizar no planejamento tributário para 2027, ano em que a CBS passa a valer em alíquota plena e o PIS e a COFINS são extintos.

Planejamento tributário para 2027: o que priorizar com o IBS e a CBS

Depois de um ano inteiro de testes em 2026, 2027 é quando a reforma tributária passa a ter efeito financeiro real sobre as empresas. Planejar esse ano com antecedência, ainda durante 2026, é o que separa uma transição tranquila de uma corrida contra o tempo.

Por que 2027 é o ano decisivo

A partir de 2027, PIS e COFINS deixam de existir e a CBS passa a valer com alíquota plena, estimada em torno de 8,8%, adotando o modelo de crédito financeiro amplo sobre praticamente todos os insumos da empresa. Diferente de 2026, quando as alíquotas de teste eram simbólicas e não geravam impacto financeiro real, 2027 é o primeiro ano em que a mudança de sistema afeta efetivamente o caixa das empresas.

Prioridade 1: revisão de créditos acumulados

Empresas com saldo credor de PIS e COFINS precisam ter, até o fim de 2026, um diagnóstico claro de quanto crédito acumulado existe, de onde ele vem e como será aproveitado dentro das regras de transição, já que a extinção desses tributos torna esse levantamento mais urgente a cada mês que passa.

Prioridade 2: revisão de contratos com fornecedores

Como a CBS amplia o crédito sobre insumos que hoje não geram crédito pleno de PIS e COFINS, vale revisar contratos com fornecedores para garantir que a empresa capture integralmente esse novo crédito a partir de 2027, o que pode exigir ajustes na forma como notas fiscais e contratos documentam a natureza de cada insumo adquirido.

Prioridade 3: adaptação de sistemas de ERP

Sistemas fiscais precisam estar prontos para calcular e apurar a CBS plena a partir de 2027, com os novos campos de classificação tributária (CST e cClassTrib) corretamente configurados para cada produto ou serviço vendido pela empresa. Empresas que já testaram esses campos ao longo de 2026 chegam a 2027 com muito mais segurança do que aquelas que só vão configurar o sistema quando a obrigatoriedade plena já estiver valendo.

Prioridade 4: revisão de precificação

Com a mudança na estrutura de crédito e a possível alteração na carga tributária efetiva de determinados produtos e serviços, vale simular o impacto da CBS plena na formação de preço da empresa, especialmente para negócios com margem apertada, onde uma variação de poucos pontos percentuais na carga tributária pode ter impacto relevante na competitividade do preço final.

Prioridade 5: capacitação da equipe fiscal e contábil

A equipe responsável pela apuração fiscal da empresa precisa estar preparada para operar dois sistemas tributários em paralelo por vários anos, já que ICMS e ISS continuam vigentes durante toda a transição até 2033, enquanto PIS e COFINS já terão sido substituídos pela CBS a partir de 2027. Investir em capacitação específica sobre o novo sistema antes que ele entre em vigor reduz o risco de erro na apuração nos primeiros meses de vigência plena.

O que não é prioridade imediata para 2027

Vale ter clareza também sobre o que ainda não exige ação imediata: a extinção de ICMS e ISS e a plena vigência do IBS só acontecem entre 2029 e 2033, o que significa que benefícios fiscais estaduais de ICMS, por exemplo, ainda operam normalmente durante 2027, mesmo que precisem ser revisados dentro de um horizonte de planejamento mais distante.

Um cronograma interno de preparação

Empresas organizadas costumam estruturar um cronograma interno ao longo de 2026, com marcos trimestrais para cada uma das prioridades acima, em vez de tratar a preparação para 2027 como um projeto único a ser resolvido de uma vez no fim do ano. Esse ritmo mais distribuído reduz a pressão sobre as equipes fiscal, contábil e de TI nos meses finais antes da virada do sistema.

Vale envolver todas as áreas afetadas

Planejamento tributário para 2027 não deveria ficar restrito ao departamento fiscal. Áreas como compras, comercial e TI também são afetadas pelas mudanças de crédito, precificação e sistemas, e envolvê-las com antecedência no planejamento evita que decisões tomadas isoladamente por uma área gerem inconsistência com o que outras áreas da empresa estão preparando para a mesma transição.

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