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Nesse Artigo

O que diferencia desenvolvimento de software elegível para a Lei do Bem de desenvolvimento de rotina, com exemplos práticos para empresas de tecnologia.

Lei do Bem para tecnologia: o que conta como P&D em software

Empresas de tecnologia costumam ser as primeiras a pensar na Lei do Bem, mas nem todo trabalho de desenvolvimento de software se qualifica. A linha entre desenvolvimento de rotina e P&D elegível é mais sutil do que parece à primeira vista.

O critério central: incerteza técnica, não complexidade de código

Um erro comum é assumir que qualquer código complexo se qualifica como P&D. O critério real da Lei do Bem não é a dificuldade técnica de implementação, é a existência de incerteza sobre se a solução proposta vai funcionar como esperado. Um sistema complexo, mas construído com técnicas e arquiteturas já bem estabelecidas e dominadas pela equipe, não se qualifica apenas por ser difícil de implementar.

Exemplos de desenvolvimento que tende a se qualificar

  • Criar um algoritmo próprio para resolver um problema de otimização que a equipe não sabia, de início, se era solucionável com a abordagem escolhida
  • Desenvolver um modelo de machine learning para um caso de uso específico, quando não havia certeza se a acurácia necessária seria alcançável com os dados disponíveis
  • Construir uma arquitetura de sistema capaz de suportar uma escala ou performance que a empresa nunca havia testado antes, exigindo experimentação até validar a solução
  • Desenvolver uma nova abordagem de segurança ou criptografia para um problema específico do produto, sem solução padrão de mercado já disponível

Exemplos de desenvolvimento que tende a não se qualificar

  • Integrar uma API de terceiros já documentada, seguindo o padrão de uso já estabelecido pelo fornecedor
  • Migrar um sistema de uma tecnologia para outra equivalente, sem alterar a lógica de negócio ou resolver algum problema técnico não solucionado anteriormente
  • Corrigir bugs em funcionalidades já existentes, mesmo que a correção exija tempo considerável de investigação
  • Customizar um sistema de terceiros dentro dos parâmetros já previstos pela própria ferramenta

O caso específico de inteligência artificial

Projetos envolvendo inteligência artificial e machine learning costumam ter mais facilidade de demonstrar incerteza técnica genuína, especialmente quando envolvem treinar modelos para um caso de uso específico, sem garantia prévia de que a acurácia ou performance necessária seria alcançada. Ainda assim, usar uma API de um modelo de linguagem já pronto, sem desenvolvimento técnico adicional relevante, tende a não se qualificar como P&D, mesmo que o produto final pareça inovador do ponto de vista de mercado.

Como documentar projetos de software para a Lei do Bem

Diferente de projetos industriais, que dependem de laudos técnicos, projetos de software se beneficiam de documentação mais natural ao próprio processo de desenvolvimento: histórico de commits que mostre iteração e tentativas alternativas, documentos de design técnico (RFCs) que registrem as opções consideradas e descartadas, e registros de testes de performance ou acurácia que demonstrem a validação do resultado final.

O papel do time de engenharia na documentação

Times de engenharia que já documentam decisões técnicas de forma estruturada, como parte da própria cultura de engenharia, tendem a ter muito mais facilidade de sustentar a elegibilidade de seus projetos para a Lei do Bem, porque essa documentação técnica já nasce durante o desenvolvimento, sem exigir esforço adicional retroativo para reconstruir o histórico do projeto.

Um exercício de revisão para empresas de tecnologia

Vale revisar, entre os projetos técnicos do último ano, quais efetivamente envolveram alguma incerteza real sobre a viabilidade da solução, e quais eram, na prática, aplicação direta de conhecimento e ferramentas já dominadas pela equipe. Esse exercício simples costuma separar rapidamente o que é elegível do que não é, evitando tanto subestimar quanto superestimar o volume real de P&D elegível da empresa.

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