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A OpenAI revelou o Jalapeño, seu primeiro processador de inteligência artificial desenvolvido em parceria com a Broadcom. O chip foca em inferência de LLMs e promete desempenho por watt superior ao estado da arte atual, com implantação em data centers prevista para o fim de 2026.
OpenAI lança o Jalapeño

OpenAI lança o Jalapeño, seu primeiro chip de IA desenvolvido do zero

Na quarta-feira, 24 de junho de 2026, a OpenAI revelou o Jalapeño, seu primeiro chip de IA desenvolvido internamente em parceria com a gigante de semicondutores Broadcom. O anúncio marca uma virada estratégica: a empresa por trás do ChatGPT deixa de depender exclusivamente de fornecedores externos e passa a construir a própria infraestrutura de hardware para rodar seus modelos de linguagem em escala global.

O que é o chip Jalapeño da OpenAI?

O Jalapeño é um ASIC (Circuito Integrado de Aplicação Específica) projetado do zero para a inferência de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs). Diferentemente de uma GPU convencional, que executa uma ampla variedade de tarefas, um ASIC é otimizado para um propósito específico. No caso do Jalapeño, esse propósito é gerar respostas de IA de forma mais rápida, eficiente e com menor consumo de energia.

Em termos simples, inferência é o momento em que a IA “trabalha”: toda vez que você envia uma mensagem ao ChatGPT e recebe uma resposta, é a inferência acontecendo em tempo real. Tornar esse processo mais eficiente significa respostas mais rápidas, menor custo operacional e maior disponibilidade, inclusive para usuários gratuitos durante picos de acesso.

Como o Jalapeño foi desenvolvido?

O chip foi desenvolvido em apenas nove meses, do design inicial até o tape-out de fabricação, um ritmo considerado recorde para a indústria de semicondutores, onde ciclos de desenvolvimento costumam durar anos.

A parceria entre OpenAI e Broadcom foi anunciada publicamente em outubro de 2025. O processo envolveu três frentes:

  • OpenAI: design da arquitetura a partir do zero, com foco nas demandas reais de inferência dos seus modelos;
  • Broadcom: implementação do silício e tecnologias de conectividade de alta velocidade, incluindo o Tomahawk networking silicon;
  • Celestica: montagem e integração dos sistemas em placas e racks.

Um detalhe incomum: a própria OpenAI utilizou seus modelos de inteligência artificial para acelerar partes do design e da otimização do chip, tornando o desenvolvimento ainda mais ágil.

Quais são os resultados preliminares de desempenho?

Os testes iniciais do Jalapeño apontam para um desempenho por watt substancialmente superior ao estado da arte atual em chips de IA, segundo a própria OpenAI. A empresa ressalva que a avaliação final de desempenho ainda está em andamento, e um relatório técnico completo será divulgado nos próximos meses.

Amostras de engenharia já estão rodando cargas de trabalho reais nos laboratórios da empresa, incluindo o modelo GPT-5.3-Codex-Spark, na frequência e potência alvo de produção.

Por que a OpenAI decidiu criar seu próprio chip?

A resposta está nos números. Em 2025, os custos de pesquisa e desenvolvimento da OpenAI chegaram a US$ 19,18 bilhões, representando cerca de 56% de toda a estrutura de gastos da empresa. Só com infraestrutura de computação fornecida pela Microsoft, a OpenAI pagou mais de US$ 10,59 bilhões no mesmo período.

Ao desenvolver o próprio ASIC, a empresa reduz a dependência das GPUs da Nvidia, hoje principal fornecedora de hardware para IA, e ganha maior controle sobre os custos de inferência. Para uma empresa que prepara sua abertura de capital em 2026, demonstrar um caminho para a eficiência operacional é também um recado para investidores.

“Ao projetarmos mais partes da infraestrutura internamente, podemos servir mais inteligência com maior eficiência e continuar impulsionando a IA para um acesso mais amplo”, afirmou Greg Brockman, presidente da OpenAI.

OpenAI entra na disputa pelo hardware de IA

Com o Jalapeño, a OpenAI passa a competir no mesmo terreno de Google, Amazon e Apple, que desenvolvem há anos chips proprietários para IA. A Google, por exemplo, já utiliza suas TPUs (Tensor Processing Units) tanto em seus produtos quanto em serviços de nuvem. A OpenAI, até agora, estava fora dessa disputa.

O chip também não é exclusivo dos produtos da OpenAI: o Jalapeño foi projetado para funcionar com qualquer LLM da indústria, o que abre espaço para que a empresa eventualmente ofereça infraestrutura de inferência como serviço para terceiros.

Quando o Jalapeño chega aos data centers?

A implantação está prevista para o segundo semestre de 2026, em data centers gerenciados pela Microsoft e por outros parceiros da OpenAI. A parceria entre OpenAI e Broadcom é descrita pelas duas empresas como uma “plataforma de computação de múltiplas gerações”, ou seja, o Jalapeño é o primeiro de uma série de chips que devem ser desenvolvidos em conjunto nos próximos anos.

O que esperar a partir daqui

O lançamento do Jalapeño é um marco, mas as perguntas mais relevantes ainda não têm resposta: como o chip se sai em comparação direta com as soluções da Nvidia e Google? Qual será o custo real de produção em escala? E o desempenho final vai confirmar o que os testes preliminares sugerem?

A OpenAI prometeu um relatório técnico detalhado nos próximos meses. Até lá, o Jalapeño já cumpriu seu papel de sinal: a empresa que treinou o ChatGPT agora quer controlar também o silício que o faz funcionar.

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