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O governo federal anunciou R$ 140 bilhões para a Nova Indústria Brasil. Saiba como os recursos do MCTI, Finep e BNDES estão distribuídos e quais setores podem acessar financiamento para inovação em 2026.
Nova Indústria Brasil

Nova Indústria Brasil recebe mais R$ 140 bilhões: o que muda para empresas que inovam

O governo federal anunciou, em 22 de junho de 2026, um novo pacote de mais de R$ 140 bilhões destinados à Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada em janeiro de 2024. O anúncio foi feito durante a cerimônia de 74 anos do BNDES, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros. Do total, R$ 38,5 bilhões serão mobilizados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), principalmente via Finep e Embrapii, dois dos principais instrumentos de fomento à inovação no país.

O que é o pacote de R$ 140 bilhões anunciado para a Nova Indústria Brasil?

O pacote de R$ 140 bilhões é um reforço financeiro ao programa Nova Indústria Brasil, formalizado por meio da assinatura da Carta de Compromisso Investe Mais Indústria. O montante será disponibilizado para contratação até dezembro de 2026 e está distribuído entre BNDES, Finep e Embrapii. Os recursos cobrem financiamento de longo prazo, subvenção econômica e apoio direto a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em seis setores estratégicos da indústria nacional.

Vale registrar o contexto: os R$ 300 bilhões originalmente projetados para todo o período 2023-2026 foram comprometidos ainda no final de 2025, antes do prazo. Este novo aporte representa um reforço adicional, não uma revisão da meta original.

Como os R$ 140 bilhões estão distribuídos entre as instituições?

InstituiçãoValorTipo de instrumento
BNDESR$ 102,5 bilhõesCrédito e financiamento de longo prazo
Finep (MCTI)R$ 37,5 bilhõesP&D, subvenção e crédito à inovação
Embrapii (MCTI)R$ 1 bilhãoProjetos de inovação com empresas
TotalR$ 141 bilhões

Os recursos da Finep e da Embrapii são lastreados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). No caso da Embrapii, o MCTI anunciou ainda o maior aporte anual da história da organização: R$ 440 milhões em 2026, com previsão de alavancar R$ 1,2 bilhão em investimentos privados e financiar 550 projetos de inovação em parceria com empresas industriais.

Quais setores podem acessar os recursos da Nova Indústria Brasil?

A NIB organiza os investimentos em seis missões estratégicas. Qualquer empresa com projeto de inovação alinhado a uma dessas frentes pode buscar financiamento via BNDES, Finep ou Embrapii:

  1. Cadeias agroindustriais – fertilizantes, máquinas agrícolas e biotecnologia aplicada ao agro
  2. Complexo industrial da saúde – insumos farmacêuticos ativos (IFAs), biofármacos e terapias avançadas
  3. Infraestrutura e mobilidade sustentável – transporte, logística e mobilidade de baixo carbono
  4. Transformação digital da indústria – inteligência artificial, IoT, big data, computação em nuvem e automação
  5. Bioeconomia e descarbonização – transição energética, hidrogênio de baixa emissão e minerais críticos
  6. Tecnologias de interesse para defesa e soberania nacional – tecnologias duais com aplicações civis e militares

Para a missão de transformação digital, a meta é elevar de 18,9% para 25% o percentual de empresas industriais brasileiras com algum nível de digitalização até o final de 2026. Para 2033, a projeção chega a 50%.

O que há de novo além dos recursos financeiros?

Além do volume de capital anunciado, o evento trouxe dois movimentos que alteram a forma como empresas acessam o ecossistema de fomento.

Portal Investe Indústria Brasil

O governo lançou o Portal Investe Indústria Brasil, desenvolvido com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A plataforma permite que empresas registrem intenções de investimento, sinalizem gargalos regulatórios e relatem dificuldades para expansão produtiva. A proposta é funcionar como canal permanente de interlocução entre setor privado e governo, acelerando a identificação de entraves e oportunidades.

Novos Centros de Competência da Embrapii

Com o aporte ampliado, a Embrapii credenciará três novos Centros de Competência em áreas consideradas estratégicas: hidrogênio de baixa emissão de carbono, inteligência artificial aplicada à produtividade industrial e minerais críticos e estratégicos. A estrutura amplia a rede de unidades onde empresas podem desenvolver projetos de inovação com custeio compartilhado entre governo, ICT e empresa.

Parceria BNDES e Petrobras em minerais críticos

O evento também formalizou uma parceria entre BNDES e Petrobras para pesquisa, desenvolvimento e inovação em minerais críticos, materiais considerados fundamentais para cadeias ligadas à transição energética, eletrificação da economia e indústria de óleo e gás.

Como sua empresa pode acessar esses recursos?

O caminho varia conforme o perfil do projeto e o instrumento mais adequado. De forma geral, há três portas de entrada:

  • Finep: editais de subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) e crédito à inovação para projetos de P&D com risco tecnológico. No ciclo 2024-2025, foram R$ 2,5 bilhões em subvenção distribuídos em 13 editais, com mais de 200 projetos contratados. O ciclo 2026 já está em andamento.
  • Embrapii: empresas industriais de qualquer porte podem desenvolver projetos em parceria com as Unidades Embrapii credenciadas. O modelo exige contrapartida da empresa, mas cobre até dois terços do custo do projeto com recursos públicos.
  • BNDES: financiamento de longo prazo para projetos de modernização, digitalização e expansão produtiva, com linhas específicas para cada uma das seis missões da NIB.

O primeiro passo prático é verificar o alinhamento do projeto da empresa com uma das missões da NIB e identificar qual instrumento, subvenção, crédito reembolsável ou parceria tecnológica, melhor se adequa ao estágio de maturidade da inovação. Empresas que já utilizam a Lei do Bem podem combinar o incentivo fiscal com esses mecanismos de fomento, ampliando o retorno financeiro das atividades de P&D sem necessariamente aumentar o desembolso próprio.

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