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A Lei do Bem permite que indústrias tradicionais reduzam impostos ao investir em inovação, mas muitas empresas ainda não aproveitam esse benefício. Com base em dados de mercado e critérios técnicos, é possível estruturar projetos de P&D e transformar melhorias operacionais em ganhos financeiros e competitivos.
Lei do Bem para indústrias tradicionais

Lei do Bem para indústrias tradicionais: como elas também se beneficiam 

A Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005) ainda é frequentemente associada a empresas de tecnologia, mas os dados mostram que essa leitura é limitada. Indústrias tradicionais têm participação crescente no uso do incentivo, embora ainda abaixo do potencial, o que indica uma oportunidade concreta de ganho fiscal e aumento de competitividade. 

O que é a Lei do Bem e qual o impacto real

A Lei do Bem permite que empresas no regime de lucro real deduzam despesas com pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica do IRPJ e da CSLL. Na prática, isso reduz o custo efetivo de investir em inovação. 

De acordo com o Relatório Anual da Lei do Bem (MCTI): 

  • Mais de 3.400 empresas utilizaram o incentivo recentemente  
  • Os investimentos declarados em P&D superaram R$ 30 bilhões ao ano  
  • A renúncia fiscal gira em torno de R$ 6 a R$ 8 bilhões anuais  

Apesar desses números, a distribuição ainda é concentrada. Setores industriais tradicionais participam, mas em menor proporção, especialmente quando comparados ao peso que têm no PIB industrial brasileiro.

Isso revela um desalinhamento: quem mais poderia se beneficiar nem sempre está capturando o incentivo. 

Inovação industrial vai além do laboratório

Um ponto central para ampliar a adoção é entender que inovação, no contexto da Lei do Bem, não se limita a desenvolvimento de software ou tecnologia de ponta. 

Segundo a OCDE (Manual de Oslo), inovação inclui melhorias em produtos, processos e métodos organizacionais que gerem ganho técnico ou econômico. Isso se aplica diretamente à indústria tradicional. 

Exemplos recorrentes elegíveis: 

  • Ajustes de processo para redução de perdas produtivas  
  • Desenvolvimento de novos materiais ou formulações  
  • Testes para ganho de eficiência energética  
  • Automação e adaptação de linhas produtivas  
  • Projetos de sustentabilidade com viés tecnológico  

Muitas dessas iniciativas já acontecem no dia a dia industrial, mas não são estruturadas como projetos de P&D. 

Cenário de mercado: por que isso importa agora

A pressão por eficiência e competitividade na indústria brasileira aumentou nos últimos anos. Alguns fatores relevantes: 

  • A indústria enfrenta custos operacionais elevados, especialmente energia e insumos  
  • Há maior exigência por produtos mais sustentáveis e eficientes  
  • A competição com produtos importados continua relevante  
  • A digitalização industrial, como Indústria 4.0, exige investimentos contínuos  

Nesse contexto, a Lei do Bem atua como um mecanismo de redução de risco financeiro da inovação. 

Empresas que utilizam o incentivo conseguem: 

  • Reinvestir parte do ganho fiscal em novos projetos  
  • Melhorar margens operacionais  
  • Acelerar ciclos de melhoria produtiva 

A lacuna nas indústrias tradicionais 

Mesmo com esse cenário, muitos setores tradicionais ainda têm baixa adesão. Entre os motivos mais comuns: 

  • Subavaliação do que é considerado inovação  
  • Falta de integração entre áreas técnica e fiscal  
  • Baixa maturidade na gestão de projetos de P&D  
  • Receio de questionamentos regulatórios  

Esse último ponto é relevante, mas os dados mostram que o uso da Lei do Bem é consolidado e respaldado, desde que haja documentação adequada. 

Oportunidade financeira direta 

A economia gerada pode ser significativa. Em termos práticos: 

  • Empresas podem recuperar entre 20% e 34% dos investimentos em P&D via benefício fiscal  
  • Projetos contínuos geram impacto acumulado ao longo dos anos  
  • Investimentos que antes eram vistos apenas como custo passam a ter retorno direto  

Para indústrias com margens pressionadas, esse tipo de ganho altera a lógica de decisão sobre investir ou não em inovação.

Lei do Bem para indústrias tradicionais: Como estruturar o uso na prática

Empresas que conseguem capturar valor da Lei do Bem normalmente seguem um processo estruturado: 

  1. Mapeamento técnico das iniciativas com potencial de enquadramento  
  1. Classificação correta segundo critérios de P&D  
  1. Organização documental, incluindo relatórios técnicos  
  1. Integração com área fiscal e contábil  
  1. Submissão anual ao MCTI  

O diferencial está menos na existência de inovação e mais na capacidade de organizá-la de forma consistente. 

A Lei do Bem não é restrita a empresas de tecnologia. Indústrias tradicionais já realizam diversas atividades que se enquadram como inovação, mas ainda capturam pouco valor fiscal por falta de estrutura ou entendimento. 

Diante de um cenário industrial mais competitivo e pressionado por eficiência, utilizar esse incentivo deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a ser uma alavanca estratégica de resultado. 

GT Group é Grownt

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