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Como a FINEP apoia deep techs, empresas baseadas em tecnologias de fronteira com ciclo de desenvolvimento mais longo e risco tecnológico mais elevado que a média.

FINEP para deep techs: apoio a tecnologias de fronteira

Entre os diferentes perfis de empresa que buscam fomento à inovação, deep techs representam um caso particular: negócios fundamentados em avanços científicos ou de engenharia genuinamente na fronteira do conhecimento, com ciclo de desenvolvimento tipicamente mais longo do que startups de tecnologia convencional.

O que caracteriza uma deep tech

Diferente de startups que aplicam tecnologia já madura a um novo modelo de negócio, deep techs se fundamentam em avanços científicos ou de engenharia que ainda não estão plenamente consolidados, como inteligência artificial avançada, biotecnologia de ponta, novos materiais, computação quântica ou tecnologias espaciais. O risco tecnológico dessas empresas tende a ser significativamente mais elevado, e o tempo até chegar a um produto comercializável costuma ser mais longo do que a média do ecossistema de startups.

Por que deep techs precisam de fomento diferenciado

O modelo tradicional de venture capital, com expectativa de retorno em cinco a sete anos, frequentemente não se encaixa bem com o ciclo de maturação de uma deep tech, que pode levar uma década ou mais para chegar a um produto comercial. Isso torna instrumentos de fomento público, com critérios de avaliação focados em mérito técnico e risco tecnológico em vez de retorno financeiro de curto prazo, especialmente relevantes para esse perfil de empresa.

Como a FINEP se posiciona para esse público

Editais de subvenção econômica, discutidos ao longo desta série, tendem a ser a modalidade mais aderente a deep techs, já que essas empresas frequentemente ainda não têm receita ou modelo de negócio plenamente validado, o que tornaria inviável o acesso a crédito reembolsável tradicional na fase mais inicial de desenvolvimento tecnológico.

A conexão com pesquisa acadêmica

Deep techs frequentemente nascem de pesquisa acadêmica ou têm fundadores com formação científica avançada, o que torna o modelo de PD&I cooperativo com universidades, discutido anteriormente nesta série, especialmente relevante para esse perfil de empresa, permitindo acesso a infraestrutura de pesquisa e conhecimento técnico avançado que a empresa isoladamente não teria condição de manter internamente.

O desafio de comunicar mérito técnico complexo

Um desafio específico de deep techs ao submeter propostas é comunicar, de forma acessível a avaliadores que podem não ter especialização exatamente na mesma subárea técnica, por que aquele avanço científico específico é genuinamente relevante e qual é a incerteza real envolvida. Como discutido ao tratar de como a FINEP avalia mérito técnico, clareza na comunicação pesa tanto quanto a qualidade técnica em si.

Ciclos de financiamento mais longos e em etapas

Deep techs se beneficiam de pensar sua estratégia de fomento em etapas conectadas ao longo de vários anos, começando possivelmente com apoio de fundações estaduais de pesquisa ou incubadoras universitárias na fase mais embrionária, avançando para subvenção da FINEP conforme o risco tecnológico se torna mais concreto e mensurável, e eventualmente buscando capital de risco especializado em deep tech, quando esse tipo de fundo específico estiver disponível no mercado brasileiro.

A importância da paciência no relacionamento com financiadores

Deep techs devem comunicar claramente a financiadores, desde o início, que o cronograma de maturação será mais longo do que o padrão de outras startups de tecnologia, evitando criar expectativa de resultado comercial em prazo incompatível com a realidade científica do desenvolvimento em curso, o que ajuda a alinhar expectativas e reduzir atrito na relação de longo prazo com o financiador.

Vale buscar comunidades especializadas em deep tech

Empresas desse perfil se beneficiam de participar de comunidades e eventos específicos de deep tech, que conectam empreendedores científicos a investidores e financiadores especializados nesse tipo de risco e ciclo de maturação, em vez de competir diretamente por atenção com startups de tecnologia mais convencional em espaços genéricos de empreendedorismo.

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