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O CNPq abriu a 7ª Chamada Pública BRICS-STI, destinando R$ 33 milhões a projetos de pesquisa e inovação em cooperação com países do bloco. O texto explica as linhas de financiamento, quem pode participar e como se preparar para as próximas edições.

Edital do CNPq destina R$ 33 milhões a projetos brasileiros em cooperação com os BRICS 

O CNPq abriu uma nova chamada pública voltada à cooperação científica entre o Brasil e os demais países do BRICS, destinando R$ 33 milhões para financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. A iniciativa, lançada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reforça um movimento que o país já vem sustentando há alguns anos: usar a cooperação multilateral do bloco como caminho para ampliar a presença brasileira em projetos internacionais de ciência e tecnologia. O prazo de submissão encerrou em 6 de julho de 2026, mas o formato do programa ajuda a entender o que esperar das próximas edições. 

O que é a 7ª Chamada Pública MCTI/CNPq/BRICS-STI 

A chamada, identificada como MCTI/CNPq/BRICS-STI nº 14/2026, integra o BRICS STI Framework Programme, o programa quadro de ciência, tecnologia e inovação do bloco formado por Brasil, China, Egito, Índia, Irã, Rússia e África do Sul. O objetivo central é apoiar projetos conjuntos de pesquisa e inovação que gerem resultados técnicos de excelência internacional e contribuam para o desenvolvimento sustentável das sociedades participantes. 

Os recursos vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e cobrem custeio de projetos e bolsas nas modalidades Desenvolvimento Tecnológico e Industrial no país e Desenvolvimento Tecnológico no Exterior, nas versões júnior e sênior. As propostas precisavam ser submetidas pela Plataforma Integrada Carlos Chagas, e antes disso o proponente precisava ter uma pré-proposta já registrada no sistema internacional do programa. 

Quais linhas de financiamento o edital oferece 

O edital divide o investimento de R$ 33 milhões em duas linhas, cada uma com R$ 16,5 milhões: 

Linha Foco Valor máximo por projeto Requisito de consórcio 
Linha 1, Redes Temáticas de Pesquisa Cooperação multilateral e consolidação de investigação científica conjunta Até R$ 650 mil Mínimo de 3 países do BRICS 
Linha 2, Projetos Flagship Projetos estratégicos, de larga escala e caráter transdisciplinar Até R$ 5,5 milhões Mínimo de 4 países do BRICS 

As áreas temáticas contempladas incluem recursos hídricos, computação de alto desempenho e inteligência artificial, energia, saúde, biotecnologia e biomedicina, alimentação, ciência dos materiais, desastres naturais e resiliência, e hidrogênio verde. Os Projetos Flagship, especificamente, priorizam frentes como terra digital, ferramentas psicomoleculares e rede de telescópios inteligentes. 

Quem pode participar da cooperação com os BRICS? 

Podem participar pesquisadores com doutorado, vínculo institucional formal (celetista, estatutário ou comprovação de atividade acadêmica ativa, no caso de aposentados) e integração a um consórcio internacional com instituições de outros países do bloco. Para a Linha 2, o proponente também precisa demonstrar liderança científica consolidada e reunir equipes de pelo menos duas áreas distintas do conhecimento, garantindo o caráter transdisciplinar exigido pelos Projetos Flagship. Todas as instituições envolvidas, brasileiras e estrangeiras, precisam estar previamente cadastradas no Diretório de Instituições do CNPq. 

Por que o Brasil investe em cooperação científica com os BRICS 

O movimento não é pontual. O MCTI mantém, há vários anos, chamadas regulares de projetos multilaterais dentro do BRICS, e essa regularidade é parte da estratégia: pesquisadores brasileiros passam a contar com uma janela de financiamento recorrente, o que estimula a formação de consórcios internacionais de forma mais planejada. Além do financiamento direto, o programa busca fortalecer a soberania tecnológica do país, ampliar a produção científica com aplicação prática e apoiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidência, tanto no Brasil quanto nos demais países do bloco. 

Esse tipo de cooperação também abre uma porta que os fomentos nacionais isolados não oferecem, o acesso a redes de pesquisa formadas por múltiplos países, com troca de conhecimento técnico, mobilidade de pesquisadores e possibilidade de aplicação dos resultados em mercados diferentes do brasileiro. 

O que esperar das próximas chamadas do BRICS-STI 

Como o prazo desta edição já encerrou, quem tem interesse em participar de uma próxima chamada BRICS-STI pode se preparar com antecedência. Vale acompanhar o Diretório de Instituições do CNPq para manter o cadastro em dia, identificar parceiros internacionais em países do bloco antes da abertura de uma nova chamada, e observar o site do secretariado do BRICS STI Framework Programme, já que a pré-proposta internacional costuma preceder a submissão nacional. Dado o histórico de chamadas anuais, é razoável esperar uma nova edição em 2027, com estrutura semelhante entre Redes Temáticas de Pesquisa e Projetos Flagship. 

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