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A computação quântica saiu dos laboratórios e entrou na agenda estratégica das empresas. Entenda o que muda para o Brasil, quais setores lideram a adoção e como sua empresa pode começar a se preparar.
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Computação Quântica: o que as empresas brasileiras precisam entender agora para não ficarem para trás

Em 2025, a ONU declarou o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas. Não foi um gesto simbólico. Foi o reconhecimento de que essa tecnologia saiu do campo teórico e começou a produzir resultados práticos em indústrias como farmacêutica, financeira e logística. Para as empresas brasileiras, isso levanta uma pergunta direta: o que é preciso entender sobre computação quântica agora, antes que a distância em relação às organizações mais preparadas se torne difícil de recuperar?

Este artigo responde a essa pergunta de forma estruturada, sem exageros sobre o que a tecnologia já entrega e sem subestimar o que está vindo.


O que é computação quântica?

Computação quântica é um modelo de processamento de informações que utiliza princípios da mecânica quântica, especialmente superposição e entrelaçamento, para realizar cálculos de forma radicalmente diferente dos computadores clássicos. Enquanto um computador tradicional processa informações em bits que assumem o valor 0 ou 1, um computador quântico opera com qubits, que podem existir em múltiplos estados ao mesmo tempo. Isso permite que sistemas quânticos avaliem um número imenso de possibilidades em paralelo, o que os torna muito mais eficientes para certos tipos de problema.

Para ficar mais concreto: um computador clássico resolve um labirinto tentando cada caminho um por vez. Um computador quântico consegue, em tese, explorar todos os caminhos simultaneamente. Isso não significa que ele é melhor em tudo, mas em problemas de otimização, simulação molecular e criptografia, a diferença de desempenho pode ser de ordens de grandeza.

Qubit, superposição e entrelaçamento: o que esses termos significam na prática?

  • Qubit é a unidade básica de informação quântica. Diferente do bit, pode estar em superposição, representando 0 e 1 ao mesmo tempo até ser medido.
  • Superposição permite que o computador quântico processe múltiplas combinações simultaneamente, aumentando exponencialmente a capacidade de cálculo.
  • Entrelaçamento é a propriedade pela qual dois qubits ficam correlacionados, de modo que o estado de um afeta instantaneamente o estado do outro, independente da distância. Isso viabiliza operações coordenadas de altíssima complexidade.

Em que estágio está a tecnologia hoje?

Em 2026, a computação quântica já saiu da ficção científica, mas ainda não resolveu o dia a dia da maioria das empresas. O estado atual pode ser resumido em três pontos:

O hardware avança, mas ainda tem limitações sérias. Os processadores quânticos mais avançados, como o Nighthawk da IBM com 120 qubits em grade quadrada, já permitem circuitos mais complexos. Mas os qubits são instáveis: qualquer interferência externa pode causar erros de decoerência, o que obriga os sistemas a operar em temperaturas próximas ao zero absoluto e exige mecanismos complexos de correção de erros.

As aplicações práticas são reais, mas concentradas em nichos. A Nippon Steel já usa computação quântica para otimizar processos de produção de aço. Empresas como Nokia e Colt Technology Services pesquisam proteção de redes contra ataques cibernéticos pós-quânticos. No setor financeiro, os primeiros casos de uso envolvem otimização de portfólios e detecção de fraudes.

O acesso ficou mais democrático via nuvem. IBM Quantum, Amazon Braket e Google Quantum AI já oferecem acesso a processadores quânticos via plataformas em nuvem. Isso significa que empresas menores podem experimentar algoritmos quânticos sem precisar investir em hardware de milhões de dólares. A barreira de entrada caiu, mesmo que a barreira de conhecimento ainda seja relevante.

As previsões mais consistentes apontam para um horizonte de aplicações comerciais viáveis entre 2026 e 2030, com o mercado podendo atingir entre US$ 4 bilhões e US$ 17 bilhões nesse período, dependendo da fonte consultada.


O que o Brasil está fazendo na área quântica?

O Brasil não está parado. Mas precisa acelerar.

No lado acadêmico e institucional, o país tem construído uma base relevante ao longo de décadas. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Informação Quântica (INCT IQ), financiado pelo CNPq, reúne pesquisadores de diversas universidades. O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) abriga o QuantumTec, laboratório voltado à construção de chips quânticos, com investimento de R$ 23 milhões da FINEP. Em Salvador, o Latin America Quantum Computing Center (LAQCC), parceria entre SENAI CIMATEC e Atos, foca em aplicações industriais. E o Instituto Quanta, da UFPE, vencedor do Prêmio Finep de Inovação 2025, trabalha na construção de um computador quântico fotônico.

No ecossistema privado, startups como a QuaTI (que desenvolve algoritmos quânticos para previsão de desastres climáticos e logística) e a Dobslit (que criou o Bongo, plataforma de nuvem quântica para provas de conceito industriais) mostram que há iniciativa local. A Venturus também inaugurou um Centro de Excelência em Computação Quântica em parceria com a QuEra, dos EUA.

O gargalo mais evidente é o de talentos. O Brasil conta com menos de 200 especialistas em computação quântica, enquanto os Estados Unidos têm cerca de 3.000. Formar essa mão de obra é um desafio que não se resolve em um ou dois anos, o que torna urgente que as empresas comecem a construir capacidade interna agora, mesmo que de forma gradual.


Quais setores brasileiros serão mais impactados?

Finanças, energia, logística e agronegócio estão entre os setores que devem sentir os efeitos mais rápidos. Veja como cada um se conecta à tecnologia:

SetorAplicação principalPrazo estimado
FinanceiroOtimização de portfólios, detecção de fraudes, precificação de derivativos2026–2028
AgronegócioOtimização de rotas logísticas, simulação de reações químicas para defensivos2027–2030
Saúde e farmacêuticaSimulação molecular para desenvolvimento de medicamentos2027–2030
LogísticaResolução de problemas combinatórios de roteirização em escala2026–2029
EnergiaSimulação de materiais para baterias e células de combustível2028–2031
CibersegurançaMigração para criptografia pós-quântica (urgente)Imediato

O item de cibersegurança merece atenção especial. Em 2024, o NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA) finalizou os três primeiros padrões de criptografia pós-quântica e, em 2025, avançou com o algoritmo HQC como reserva adicional. O motivo é direto: computadores quânticos suficientemente avançados poderão quebrar os protocolos de criptografia usados hoje. Dados armazenados agora podem se tornar vulneráveis no futuro. A migração para arquiteturas resistentes a ataques quânticos leva tempo e deve começar antes que o problema se materialize.


Computação quântica pode ser financiada com recursos públicos no Brasil?

Sim. E esse é um ponto que muitas empresas ainda desconhecem.

FINEP, edital Mais Inovação Brasil: A segunda edição do edital, aberta até 30 de setembro de 2026, disponibiliza R$ 300 milhões em subvenção para projetos inovadores. A linha temática 5 é dedicada especificamente a tecnologias quânticas, cobrindo computação, comunicação e sensoriamento quânticos. Para participar, a empresa precisa desenvolver o projeto em parceria com uma instituição científica e tecnológica (ICT). O objetivo declarado do edital é reduzir a dependência externa e inserir o Brasil em cadeias globais de alto valor.

Lei do Bem (Lei 11.196/2005): Projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em computação quântica podem ser enquadrados na Lei do Bem, que concede deduções fiscais sobre o IRPJ e a CSLL para empresas que investem em P&D. O benefício é automático para empresas tributadas pelo lucro real que realizam atividades de pesquisa tecnológica. O prazo para envio do formulário FORMP&D referente ao ano-base 2025 vai até 31 de agosto de 2026.

BNDES e Nova Indústria Brasil: O programa Nova Indústria Brasil, do governo federal, inclui tecnologias de computação avançada entre as prioridades estratégicas. O BNDES oferece linhas de crédito subsidiado que podem financiar projetos de longo prazo nessa área.

A combinação desses instrumentos permite que uma empresa estruture um projeto de P&D em computação quântica com uma parte relevante do custo coberta por incentivos fiscais e subvenções, o que muda bastante a equação de retorno sobre o investimento.


Por onde a sua empresa começa

Computação quântica não é tema apenas para laboratórios ou para as grandes corporações globais. Mas também não é para qualquer empresa que ainda está tentando organizar processos básicos. A lógica aqui é pragmática: a tecnologia é uma ferramenta para quando o problema pede outra classe de computação.

Se o seu negócio envolve otimização em grande escala, simulação de cenários complexos, risco criptográfico de longo prazo ou desenvolvimento de novos materiais e moléculas, a computação quântica já merece um espaço na agenda estratégica.

Quatro passos concretos para começar:

  1. Mapeie os problemas elegíveis. Identifique processos da sua empresa que envolvem otimização combinatória, simulação ou criptografia. Esses são os candidatos naturais para aplicações quânticas.
  2. Forme capacidade interna mínima. Desenvolvedores com conhecimento em Python têm um ponto de partida sólido: linguagens como Qiskit (IBM) e Cirq (Google) são baseadas em Python e têm curva de aprendizado mais acessível para quem já programa.
  3. Experimente via nuvem. IBM Quantum, Amazon Braket e Google Quantum AI oferecem acesso pago e, em alguns casos, gratuito para provas de conceito. É possível testar algoritmos quânticos sem comprar hardware.
  4. Avalie o risco criptográfico agora. Se a sua empresa armazena dados sensíveis por anos, vale iniciar um diagnóstico da arquitetura de segurança com atenção à migração para padrões pós-quânticos. O documento do NIST já está disponível e define o caminho a seguir.

O horizonte de impacto comercial pleno da computação quântica ainda está entre dois e cinco anos para a maioria dos setores. Mas preparação estratégica, formação de equipes e posicionamento junto aos mecanismos de fomento são decisões que precisam acontecer antes disso. Quem começa a conversa agora chega ao momento certo com vantagem real.

GT Group agora é Grownt.

Uma evolução que reflete uma empresa mais estratégica e orientada ao crescimento e inovação. A Grownt atua como parceira de negócios, oferecendo consultoria em Lei do Bem, captação de fomentos e incentivos fiscais, Acreditamos que inovação e crescimento caminham juntos. Nosso compromisso é criar soluções que transformam empresas, impulsionam resultados e geram impacto positivo no mercado. Buscamos constantemente novas oportunidades para expandir nossa atuação e gerar ainda mais valor para clientes e parceiros. Um ecossistema de inovação completo.