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Brasil e China avançam nos preparativos técnicos do CBERS-6, o primeiro satélite do programa equipado com radar SAR. Inpe e Cresda definiram procedimentos de calibração, comissionamento e distribuição de dados para a missão prevista para 2028.
CBERS-6

Brasil e China avançam nos preparativos para o CBERS-6

Em reuniões realizadas no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), equipes técnicas brasileiras e chinesas definiram procedimentos que vão orientar a operação do CBERS-6, próximo satélite da série sino-brasileira de monitoramento terrestre. O alinhamento marca mais uma etapa no desenvolvimento de uma missão considerada histórica para o programa: pela primeira vez, o CBERS carregará um radar de abertura sintética (SAR), tecnologia capaz de gerar imagens da superfície terrestre mesmo sob cobertura de nuvens ou durante a noite.

O que é o CBERS-6 e por que ele importa?

O CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) é um programa de cooperação espacial entre Brasil e China iniciado na década de 1980. Ao longo de quase quatro décadas, os satélites da série foram usados para monitorar desmatamento, queimadas, uso do solo e recursos hídricos em biomas como a Amazônia.

O CBERS-6 representa um salto tecnológico dentro desse histórico. Enquanto os satélites anteriores operavam com sensores ópticos — dependentes de luz solar e céu aberto — o novo satélite utilizará um radar SAR em banda X, fornecido pela China. Isso significa que ele poderá capturar imagens com chuva, neblina, fumaça ou durante a madrugada. Para um país como o Brasil, onde parte do desmatamento e das queimadas ocorre em períodos chuvosos que dificultam o imageamento óptico, essa capacidade representa uma mudança prática relevante.

O que foi definido nas reuniões técnicas recentes?

As equipes do Inpe e do China Centre for Resources Satellite Data and Applications (Cresda) definiram os principais encaminhamentos relacionados ao desenvolvimento do CBERS-6, incluindo a elaboração conjunta dos planos de calibração e validação do satélite, a preparação dos testes de comissionamento e a definição dos níveis de processamento e dos formatos dos dados que serão disponibilizados aos usuários da missão.

Outro ponto discutido foi a estratégia operacional da carga útil SAR, com detalhamento dos procedimentos para aquisição, processamento e distribuição das imagens. As equipes também definiram a campanha de calibração cruzada dos satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazônia-1, prevista para o segundo semestre de 2026, no campo de calibração radiométrica de Dunhuang, na China.

Quais aplicações o CBERS-6 vai atender?

O CBERS-6 deverá fornecer dados estratégicos para o planejamento, monitoramento e controle do desmatamento, queimadas, vigilância de fronteiras, estudos urbanos, recursos hídricos e vegetação, vigilância costeira e aplicações na agricultura.

A missão complementará os dados gerados pelos satélites ópticos anteriores, cobrindo situações em que o imageamento convencional não é viável por conta das condições atmosféricas.

Qual é o papel do Brasil no projeto?

O CBERS-6 utilizará a Plataforma MultiMissão (PMM), desenvolvida no Brasil e validada na missão Amazônia 1. A carga útil será um radar SAR em banda X, fornecido pela China. A divisão reflete o modelo consolidado do programa: o Brasil contribui com a estrutura da plataforma e o Inpe conduz a gestão técnica da missão pelo lado brasileiro, enquanto a China fornece os instrumentos de sensoriamento e a infraestrutura de lançamento.

A Cresda, vinculada à Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, atua na operação de dezenas de satélites e mantém parceria histórica com o Brasil no Programa CBERS desde a década de 1980.

Qual é a base legal da cooperação?

O Decreto nº 12.496, publicado em 10 de junho de 2025 no Diário Oficial da União, promulgou o Protocolo Complementar sobre o Desenvolvimento Conjunto do CBERS-6, celebrado entre os governos do Brasil e da China. O protocolo havia sido assinado em Pequim em abril de 2023 e aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2024. Ele complementa e atualiza o Acordo-Quadro de cooperação espacial firmado entre os dois países em 1994.

Quando o CBERS-6 será lançado?

O lançamento está previsto para 2028, a partir do território chinês. Até lá, as equipes de ambos os países seguirão as etapas de integração, testes e comissionamento definidas no cronograma conjunto.

O que vem por aí na cooperação espacial entre os dois países

A parceria vai além do CBERS-6. O Brasil participou como país convidado de honra no China Space Day 2026, em Chengdu, fortalecendo uma cooperação espacial de 38 anos que já colocou em órbita os satélites do programa CBERS, utilizados diariamente por sistemas como o Deter e o Prodes para monitorar o desmatamento, as queimadas e o uso do solo na Amazônia e em outros biomas brasileiros.

Com o CBERS-6 entrando em fase mais avançada de desenvolvimento e as equipes técnicas afinando os procedimentos operacionais, o programa sino-brasileiro de sensoriamento remoto segue ampliando sua relevância para o monitoramento ambiental e territorial do Brasil.