A SpaceX realizou nesta terça-feira, 19 de maio, o 12º voo de teste da Starship, seu megafoguete de próxima geração. O lançamento acontece em um momento de alta expectativa: a empresa está em processo de abertura de capital na bolsa de valores e o desempenho da Starship é central para justificar a avaliação de US$ 1,75 trilhão que a companhia carrega no mercado privado.
O que é o voo de teste da Starship?
O voo 12 é o primeiro teste da versão V3 da Starship e do propulsor Super Heavy, equipados com a evolução mais recente do motor Raptor. O lançamento partiu da Starbase, no sul do Texas, com janela de abertura às 17h30 (horário central dos EUA), o que corresponde às 19h30 no horário de Brasília.
Entre os objetivos do teste:
- Validar, pela primeira vez em ambiente de voo, as reformulações incorporadas ao foguete após os problemas registrados nos voos anteriores
- Testar o propulsor Super Heavy em voo com retorno ao Golfo do México (sem tentativa de captura, por ser um design redesenhado)
- Implantar 22 simuladores de satélites Starlink de próxima geração (tamanho equivalente aos V3)
- Testar o escudo térmico durante a reentrada atmosférica
Por ser a primeira vez que essa configuração reformulada voa, a SpaceX optou por não tentar recuperar o booster na base — uma diferença importante em relação aos voos 10 e 11, que foram bem-sucedidos.
O que mudou desde os últimos voos?
O histórico da Starship é de altos e baixos. Os voos 8 e 9 foram marcados por falhas: no 8º, o estágio superior girou descontroladamente e explodiu; no 9º, uma falha geral impediu que os objetivos fossem cumpridos. A SpaceX identificou 17 correções necessárias e aplicou todas antes do voo 12.
Os voos 10 e 11, realizados em 2025, foram considerados perfeitos pela empresa — o 11º foi o último da versão V2. Agora, a V3 estreia com motor Raptor atualizado e plataforma de lançamento recém-projetada.
Por que esse voo importa para o IPO?
A abertura de capital da SpaceX, que pode avaliar a empresa em até US$ 75 bilhões na oferta inicial, depende diretamente do sucesso da Starship. O foguete é a espinha dorsal dos planos de negócio da empresa nos próximos anos:
- A geração V3 dos satélites Starlink deve ser lançada a bordo da Starship a partir do segundo semestre de 2026
- Cada voo da Starship pode carregar até 60 satélites Starlink, contra as duas dúzias comportadas pelo Falcon 9
- O foguete concentra US$ 15 bilhões em investimento acumulado de P&D — valor maior do que todo o histórico de gastos com o Falcon
Em seu registro confidencial de IPO, a SpaceX declarou que continua investindo para ampliar sua liderança, com foco em reutilização completa e rápida em larga escala. Analistas apontam que o processo de abertura de capital exigirá maior transparência sobre receitas e pressão dos investidores por retorno de curto prazo, algo incomum para uma empresa que planeja enviar humanos a Marte.
Quais são os principais desafios que ainda restam?
Apesar dos avanços, a SpaceX reconhece obstáculos significativos antes que a Starship possa operar em escala comercial:
- Reabastecimento em órbita: ainda não demonstrado, é considerado o maior desafio técnico restante para missões no espaço profundo
- Infraestrutura de lançamento: cada decolagem da Starship consome o equivalente a 244 caminhões-tanque de gás natural e cerca de um milhão de galões de água para supressão acústica
- Cadência de produção: a meta de Musk é atingir “milhares de lançamentos por ano”, taxa que exige ajustes contínuos na fábrica da Starbase
O que acompanhar daqui para frente
O voo 12 é considerado um marco técnico. Se os objetivos forem cumpridos, a SpaceX terá validado a arquitetura reformulada e dado um passo significativo rumo às operações comerciais. O início dos lançamentos Starlink V3 no segundo semestre de 2026 é o próximo grande prazo que o mercado acompanha, ao lado da data de abertura do IPO — ainda não confirmada pela empresa.





