Encerrando a discussão sobre os diferentes formatos de fomento ao longo desta série, vale tratar de um modelo que combina diversos elementos já discutidos: empresas que se unem formalmente em consórcio para acessar recursos que, isoladamente, talvez não conseguissem captar com a mesma força.
O que caracteriza um consórcio de fomento
Um consórcio de fomento reúne duas ou mais empresas, formalizadas por meio de um acordo específico, que se unem para submeter uma proposta conjunta a um edital ou buscar financiamento compartilhado, dividindo tanto os custos e riscos do projeto quanto os benefícios e resultados gerados, geralmente proporcionalmente à participação de cada empresa.
Por que empresas formam esse tipo de aliança
Um projeto que exige investimento ou capacidade técnica além do que uma única empresa consegue viabilizar isoladamente pode se tornar acessível quando dividido entre múltiplos participantes, cada um contribuindo com parte do recurso ou expertise necessária. Isso é especialmente relevante para pequenas e médias empresas que, individualmente, não teriam porte suficiente para competir por editais de maior escala discutidos ao longo desta série.
Como isso se conecta a editais de execução em rede
Como mencionado ao tratar de subvenção econômica e parcerias com universidades, alguns editais da FINEP já preveem explicitamente modelos de execução em rede, exigindo ou incentivando parceria entre múltiplas organizações, incluindo empresas e instituições de pesquisa. Consórcios entre empresas do mesmo setor podem se conectar a esse formato, ampliando ainda mais o valor da rede formada.
Exemplos de projetos que se beneficiam desse modelo
Desenvolvimento de infraestrutura compartilhada de testes ou certificação, cujo custo individual seria proibitivo para uma única empresa de porte médio; pesquisa pré-competitiva, em que empresas concorrentes colaboram em uma etapa inicial de conhecimento genérico antes de competir individualmente na aplicação comercial específica; e projetos de cadeia produtiva, em que fornecedores e clientes de uma mesma cadeia se unem para desenvolver uma solução que beneficia toda a cadeia, não apenas uma empresa isolada.
O desafio da governança em consórcios
Formalizar como decisões serão tomadas, como custos e benefícios serão divididos, e como eventual propriedade intelectual gerada será compartilhada entre os participantes é essencial antes de iniciar qualquer projeto conjunto. Consórcios que não resolvem essas questões de governança com antecedência frequentemente enfrentam conflitos que comprometem a execução do projeto, mesmo quando a ideia original tinha mérito técnico sólido.
Como isso se conecta a redes setoriais já existentes
Associações setoriais, discutidas em outros momentos desta série ao tratar de setores específicos como a indústria química, muitas vezes já funcionam como um ponto de articulação natural para a formação desse tipo de consórcio, conectando empresas do mesmo setor que já têm alguma relação institucional prévia e podem identificar interesses comuns de pesquisa.
Vale considerar esse caminho para desafios setoriais comuns
Empresas que enfrentam um desafio técnico ou regulatório comum ao seu setor, mas que nenhuma isoladamente teria capacidade de resolver sozinha, devem considerar mapear outras empresas na mesma situação e avaliar a viabilidade de um projeto conjunto, potencialmente acessando recursos de fomento que, de outra forma, estariam fora de alcance para qualquer participante individual.
O encerramento de uma jornada por dezenas de instrumentos
Com este artigo, encerramos uma jornada extensa por praticamente todos os principais instrumentos de fomento e incentivo fiscal à inovação disponíveis no Brasil: Lei do Bem, FINEP, BNDES, fundos estaduais, fundos setoriais, incentivos regionais, e agora também modelos colaborativos entre empresas. O denominador comum ao longo de toda essa jornada foi sempre o mesmo: documentação contínua, governança clara e alinhamento entre o estágio real do projeto e o instrumento escolhido são o que separa empresas que capturam esse valor de empresas que o deixam na mesa.




