A corrida pelo armazenamento de energia ganhou um novo capítulo. A NatPower, empresa independente de energia, e a Tesla anunciaram em 23 de junho de 2026 um acordo plurianual para construir 25 gigawatts-hora (GWh) de capacidade em baterias de energia na Itália e no Reino Unido. Trata-se da primeira fase de um plano mais amplo avaliado em até US$ 5 bilhões, com potencial de receita superior a US$ 15 bilhões ao longo de 20 anos.
O que está previsto no acordo?
A parceria prevê a instalação inicial de cinco projetos de grande escala, utilizando o sistema Megapack da Tesla, desenvolvido especificamente para armazenamento em baterias de energia em nível industrial. Além do hardware, a NatPower também adotará a tecnologia de negociação da Tesla, que automatiza a gestão de compra e venda de eletricidade na rede, otimizando receita e eficiência operacional.
O programa completo tem como objetivo superar os 100 GWh de capacidade instalada, com custo de construção estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões.
Por que esse acordo importa para o setor de energia?
Países de toda a Europa vêm acelerando projetos de baterias de energia para equilibrar a geração intermitente de fontes renováveis como solar e eólica. Quando a geração supera a demanda, o excedente precisa ser armazenado. Quando a demanda supera a geração, as baterias de energia entram em ação para estabilizar a rede.
O CEO da NatPower, Fabrizio Zago, descreveu o acordo como um modelo replicável: o setor já tem acesso à tecnologia e ao capital, mas ainda enfrenta dificuldades para entregar infraestrutura dentro dos prazos. A parceria com a Tesla busca justamente resolver esse gargalo, criando um ecossistema que alinha capital e execução.
Tesla aposta cada vez mais em energia além dos carros elétricos
O acordo com a NatPower reforça uma tendência clara nos números da Tesla: o segmento de geração e armazenamento de energia cresce mais rápido do que o de veículos. Em 2025, a receita desse segmento atingiu US$ 12,7 bilhões, alta de 27% em relação ao ano anterior. O Megapack, produto central desse crescimento, é hoje uma das apostas mais relevantes da empresa para o mercado de infraestrutura energética global.
Paralelamente, a Tesla também fechou recentemente um contrato de US$ 4,3 bilhões com a LG Energy Solution para fornecimento de células de baterias produzidas nos Estados Unidos, o que sinaliza uma estratégia consistente de expansão da cadeia de baterias de energia em escala global.
O que esse movimento revela sobre o mercado de baterias de energia?
Acordos dessa magnitude indicam que o mercado de baterias de energia saiu da fase experimental e entrou na fase de infraestrutura. Grandes volumes, contratos plurianuais e integração entre tecnologia de armazenamento e gestão de rede são os novos padrões de um setor em consolidação.
Para empresas que operam ou investem em energia, inovação e infraestrutura, o recado é direto: quem não estiver posicionado nessa cadeia nos próximos anos pode perder uma janela de transição que dificilmente se repetirá com a mesma intensidade.
O próximo passo
O acordo entre NatPower e Tesla ainda está em fase inicial. Os cinco primeiros projetos precisam sair do papel, e a escala de 100 GWh é uma meta de longo prazo. Mas o tamanho do compromisso financeiro e a reputação das empresas envolvidas deixam pouca margem para dúvida sobre a direção do mercado de baterias de energia: o volume de investimento chegou e a velocidade de implantação será o próximo diferencial competitivo.




