Discutimos ao longo desta série diversos critérios de avaliação de mérito técnico, orçamento e cronograma. Existe um fator adicional, menos discutido, que também pesa na análise: o histórico da própria empresa em relações anteriores com a FINEP.
Por que o histórico importa na análise de capacidade de execução
Como discutido ao tratar de como a FINEP avalia mérito técnico, um dos critérios centrais é a capacidade da empresa de executar o projeto proposto. Uma empresa que já executou projetos anteriores com a FINEP, cumprindo cronograma e prestando contas de forma organizada, demonstra essa capacidade de forma concreta, diferente de uma empresa sem esse histórico, que precisa convencer o avaliador dessa capacidade apenas com base em argumentos teóricos sobre sua equipe e estrutura.
O que um bom histórico sinaliza
Projetos anteriores concluídos dentro do prazo e escopo originalmente propostos, prestação de contas entregue sem pendências relevantes, discutida em detalhe anteriormente nesta série, e comunicação proativa com a FINEP quando ajustes foram necessários ao longo da execução, são sinais que constroem um histórico positivo, relevante para avaliações futuras.
O impacto de um histórico problemático
Empresas que já tiveram projetos com prestação de contas questionada, ou que precisaram devolver recurso por desvio de finalidade, discutido anteriormente ao tratar de prestação de contas, podem enfrentar maior escrutínio em propostas futuras, já que esse histórico fica registrado nos sistemas da FINEP e pode influenciar a análise de capacidade de execução em novos processos.
Como isso afeta empresas sem nenhum histórico prévio
Empresas que nunca tiveram relação anterior com a FINEP não estão em desvantagem definitiva, mas precisam compensar a ausência de histórico com evidências alternativas de capacidade de execução, como histórico de projetos executados com outros financiadores, composição da equipe técnica com experiência relevante, ou parcerias com instituições já conhecidas e respeitadas pela FINEP, como universidades com histórico consolidado de projetos cooperativos.
Por que a primeira experiência com a FINEP merece cuidado extra
Empresas que buscam construir uma relação de longo prazo com a FINEP devem tratar seu primeiro projeto financiado com atenção redobrada à execução e à prestação de contas, discutida ao longo desta série, reconhecendo que essa primeira experiência estabelece a base do histórico que influenciará a análise de propostas futuras por muitos anos.
Como isso se conecta ao gestor de projetos discutido anteriormente
O papel do gestor de projetos na execução de um financiamento, discutido em detalhe anteriormente nesta série, é diretamente responsável por construir esse histórico positivo, já que a qualidade da gestão de cada projeto específico é o que efetivamente gera o registro de capacidade de execução que beneficia submissões futuras da empresa.
Vale tratar cada projeto como investimento na relação de longo prazo
Empresas que pretendem buscar fomento da FINEP de forma recorrente ao longo dos anos devem enxergar cada projeto individual não apenas como uma captação isolada de recurso, mas como um investimento na construção de um histórico que facilita o acesso a fomento futuro, o que justifica investir esforço extra na qualidade da execução e da prestação de contas, mesmo quando isso exige recurso além do estritamente necessário para cumprir os requisitos mínimos do projeto em questão.
Um histórico positivo não substitui um bom projeto atual
Vale reforçar que um histórico positivo é um fator complementar, não substituto, ao mérito técnico da proposta atual. Mesmo empresas com excelente histórico de execução anterior precisam apresentar um projeto novo tecnicamente sólido, seguindo os critérios discutidos ao longo desta série, já que a análise de cada edital considera o mérito específico da proposta em avaliação, não apenas a reputação acumulada da empresa proponente.


