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O Brasil ocupa a segunda posição global no ranking do eduroam, com cerca de 3,8 mil pontos de acesso distribuídos em mais de 220 instituições. A rede, gerenciada pela RNP com apoio do MCTI, garante internet gratuita e automática a pesquisadores em mais de 100 países, mas ainda é subutilizada.
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Brasil é o 2º país do mundo em pontos de acesso eduroam, e a maioria dos pesquisadores ainda não sabe disso

Um pesquisador brasileiro desembarca em Lisboa para um congresso. Entra no saguão da universidade parceira, tira o celular do bolso, e a internet já está conectada: sem pedir senha, sem preencher cadastro, sem falar com ninguém na recepção. Isso não é ficção científica nem privilégio de poucos. É o eduroam, e o Brasil está entre os países que mais investiram nessa infraestrutura no mundo.

O que é o eduroam e como ele funciona?

O eduroam (abreviação de education roaming) é uma rede global de Wi-Fi seguro voltada exclusivamente para a comunidade acadêmica. Criado em 2002 pela organização europeia GÉANT, o serviço permite que estudantes, professores e pesquisadores se conectem à internet em qualquer instituição participante do mundo usando apenas as credenciais do próprio vínculo institucional, o mesmo login e senha do portal acadêmico ou webmail.

O sistema opera por autenticação federada: quando o usuário tenta se conectar em uma instituição visitada, a rede reconhece a origem das credenciais e valida o acesso com a instituição de origem, sem expor senha a terceiros. A partir da primeira configuração no dispositivo, o processo passa a ser automático. O aparelho busca o sinal do eduroam e se conecta sem intervenção do usuário.

Hoje o serviço está presente em mais de 100 países e abrange universidades, centros de pesquisa, hospitais universitários, bibliotecas, aeroportos e praças públicas.

Onde o Brasil se posiciona no ranking global?

O Brasil chegou a ter, por algum tempo, a maior rede eduroam do mundo em número de pontos de acesso. Atualmente, o país ocupa a segunda posição, atrás apenas dos Estados Unidos. Os americanos contam com 4.518 pontos de acesso; o Brasil, com cerca de 3,8 mil, distribuídos por universidades federais, estaduais, institutos federais e centros de pesquisa. São aproximadamente 220 instituições conectadas.

Esse volume é resultado de uma expansão consistente desde 2012, quando a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) passou a operar o serviço no país, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Em 2014, Porto Alegre se tornou a primeira cidade da América Latina a oferecer o eduroam em espaços públicos, com 15 pontos de acesso espalhados pela cidade.

Quem pode usar o eduroam no Brasil?

O acesso é assegurado a alunos, professores e servidores de instituições participantes. Na prática, qualquer pessoa com vínculo ativo em uma das cerca de 220 instituições brasileiras conectadas à rede tem direito ao serviço.

Para verificar se a sua instituição participa, basta consultar o mapa global disponível no site oficial do eduroam ou entrar em contato com o setor de TI da própria instituição. Quem já tem o serviço habilitado, mas nunca configurou no dispositivo, pode solicitar o procedimento diretamente à gestão de tecnologia da informação do campus.

O que muda na prática para quem faz pesquisa?

A diferença é operacional, mas tem impacto direto na rotina científica. Antes do eduroam, um pesquisador em missão no exterior precisava solicitar credenciais temporárias, aguardar aprovação da instituição visitada e, muitas vezes, repetir o processo a cada novo destino. Com o roaming acadêmico, esse atrito desaparece.

Os pontos de acesso cobrem não apenas campi universitários, mas também hospitais, praças, aeroportos e estações de trem, tanto no Brasil quanto na Europa. Para missões de pesquisa, intercâmbios e participação em congressos, a conectividade está disponível desde a chegada ao destino, sem depender de chips locais ou redes abertas com menor segurança.

Como ativar o eduroam no seu dispositivo

O processo de configuração é feito uma única vez e envolve três etapas:

  1. Confirmar a adesão institucional: verifique com a TI da sua instituição se ela já participa do eduroam e solicite as credenciais de acesso, caso ainda não as tenha.
  2. Usar o instalador automático (CAT): o GÉANT disponibiliza um assistente de configuração que ajusta automaticamente os parâmetros de segurança para Android, iOS, Windows e macOS.
  3. Conectar pela primeira vez no campus: depois disso, o dispositivo passa a reconhecer e acessar redes eduroam automaticamente em qualquer local participante.

A infraestrutura que o Brasil construiu vale ser usada

Chegar ao segundo lugar no ranking global de conectividade acadêmica não foi coincidência. Foi resultado de mais de uma década de investimento da RNP, com respaldo federal, para levar uma rede robusta e segura a instituições de dimensões continentais. O problema é que boa parte dos potenciais usuários desconhece o serviço ou nunca fez a configuração inicial.

Se você tem vínculo com uma universidade ou instituto de pesquisa brasileiro, há uma boa chance de que o eduroam já esteja disponível para você. A questão é se você está aproveitando.

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