O governo federal acaba de anunciar o maior aporte anual já realizado na Embrapii desde sua criação, em 2013. BNDES e MCTI vão injetar R$ 640 milhões na Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, sendo R$ 440 milhões do Ministério, via Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 200 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Para empresas que já conhecem ou acompanham os mecanismos de fomento à inovação no Brasil, a pergunta prática é uma só: como acessar esses recursos?
O que muda com esse aporte
O volume anunciado não é apenas expressivo em termos absolutos. Ele sinaliza uma mudança de escala na política de inovação industrial brasileira. Os recursos destinados à Embrapii fazem parte de um pacote maior, de R$ 140 bilhões, anunciado pelo governo federal para impulsionar a Nova Indústria Brasil até dezembro de 2026, envolvendo BNDES, Finep, Embrapii e ABDI.
Com o orçamento de R$ 1 bilhão projetado para 2026, a expectativa é mobilizar mais R$ 1,3 bilhão em contrapartidas de empresas e unidades credenciadas, ampliando significativamente a capacidade de investimento em inovação tecnológica e desenvolvimento industrial. Na prática, cada real de recurso público pode atrair mais de um real do setor privado, o que torna a janela atual particularmente estratégica para empresas que planejam projetos de P&D.
O que é a Embrapii e como ela funciona?
A Embrapii é uma organização social vinculada ao MCTI que opera sem edital e sem burocracia excessiva. Ela conecta centros de pesquisa e empresas, compartilhando os custos da inovação ao aportar recursos não reembolsáveis em projetos que levem à introdução de novos produtos e processos no mercado.
O diferencial em relação a outros instrumentos de fomento é o modelo de operação sob demanda: a empresa não precisa esperar abertura de edital para iniciar um projeto. Ela identifica um desafio tecnológico, busca a unidade com a competência técnica adequada e negocia diretamente a proposta. No modelo tradicional, a Embrapii disponibiliza recursos não reembolsáveis para até um terço do valor do projeto. Para micro e pequenas empresas em condições específicas, esse percentual pode chegar a 50%.
Em 12 anos de existência, a Embrapii já contratou 3,7 mil projetos, apoiou 2,5 mil empresas e mobilizou R$ 7,1 bilhões em investimentos.
Quais setores e tecnologias são prioritários em 2026
Com o novo aporte, serão credenciados novos Centros de Competência Embrapii com foco em hidrogênio verde, inteligência artificial e minerais críticos e estratégicos.
Além dessas áreas, os investimentos estarão distribuídos entre as seis missões da Nova Indústria Brasil, cobrindo cadeias agroindustriais, complexo industrial da saúde, transformação digital, bioeconomia, transição energética e tecnologias críticas para a soberania nacional.
Empresas que atuam nessas frentes têm condições mais favoráveis de encontrar unidades credenciadas alinhadas ao seu desafio tecnológico, o que tende a acelerar a estruturação do projeto.
Como sua empresa pode acessar os recursos da Embrapii
O processo de acesso é direto e segue uma lógica orientada à demanda da empresa, não ao perfil do edital. Veja o passo a passo:
- Identifique o desafio tecnológico. Mapeie qual problema de inovação a empresa quer resolver: novo produto, melhoria de processo, redução de custo com tecnologia, entre outros.
- Encontre a unidade certa. A Embrapii conta com mais de 90 unidades distribuídas pelo Brasil, com competências em áreas como manufatura avançada, IoT, biotecnologia, agro, energia, materiais e TICs. A busca pode ser feita diretamente no site da Embrapii (embrapii.org.br), pelo mapa de unidades.
- Apresente o desafio à unidade. A unidade estrutura uma proposta de projeto em conjunto com a empresa, negociando escopo, prazo e divisão de custos.
- Negocie a contrapartida. A empresa arca com a parte não coberta pelos recursos da Embrapii. Para micro e pequenas empresas, a parceria com o Sebrae pode cobrir até parte dessa contrapartida, reduzindo ainda mais o desembolso próprio. Embrapii
- Execute com suporte técnico. Toda a gestão técnica do projeto é conduzida pela unidade credenciada, sem que a empresa precise desenvolver capacidade interna para isso.
Por onde começar
O momento é oportuno. O aporte de R$ 640 milhões amplia o número de projetos que a Embrapii poderá contratar ao longo de 2026, o que significa mais unidades mobilizadas e mais espaço para novas empresas entrarem no modelo.
O primeiro passo é simples: acesse o mapa de unidades em embrapii.org.br, identifique qual delas tem competência técnica alinhada ao seu setor e agende uma conversa. Não há edital para aguardar nem formulário de pré-habilitação. A porta de entrada é o desafio tecnológico da própria empresa.
Se sua organização ainda não mapeou oportunidades de fomento à inovação, esse é um bom momento para começar. Recursos não reembolsáveis com essa escala não aparecem com frequência.




