Quando uma startup capta uma rodada de investimento de um fundo de venture capital no Brasil, na maior parte das vezes esse investimento passa por uma estrutura específica: o Fundo de Investimento em Participações, ou FIP.
O que é um FIP
Um FIP é um veículo de investimento coletivo regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), constituído para investir em participações societárias de empresas, com foco em contribuir para o desenvolvimento dessas empresas por meio de participação na gestão ou influência estratégica relevante. É a estrutura jurídica padrão usada por fundos de venture capital e private equity no Brasil para captar recursos de investidores e aplicá-los em startups e empresas em crescimento.
Por que essa estrutura é usada
O FIP oferece um arcabouço jurídico e tributário eficiente para reunir capital de diversos investidores, como fundos de pensão, family offices e investidores institucionais, e aplicá-lo em um portfólio de empresas, com regras claras de governança e prestação de contas aos cotistas. Sem essa estrutura, cada investidor precisaria negociar e formalizar individualmente sua participação em cada startup, o que seria consideravelmente mais complexo e custoso.
Como funciona o ciclo de um FIP de venture capital
Um FIP de venture capital costuma seguir um ciclo de vida com fases distintas: captação de recursos junto aos investidores (cotistas), período de investimento em que o fundo aporta capital em startups selecionadas, período de acompanhamento e suporte às empresas investidas, e eventual desinvestimento, quando o fundo vende sua participação, geralmente por meio de uma aquisição da startup ou abertura de capital, devolvendo o retorno aos cotistas.
O papel do gestor do fundo
O gestor do FIP é responsável por selecionar as startups que receberão investimento, negociar os termos de cada aporte, acompanhar o desempenho das empresas investidas e decidir o momento adequado de desinvestimento. A qualidade e experiência do gestor costuma ser um fator determinante do sucesso do fundo, já que a seleção e o suporte às startups investidas exigem conhecimento profundo do ecossistema de inovação.
Como startups acessam esse tipo de capital
Diferente de editais públicos como os da FINEP, o acesso a um FIP de venture capital acontece por meio de negociação direta com o gestor do fundo, geralmente após uma apresentação (pitch) do modelo de negócio, tração já alcançada e potencial de crescimento. Fundos de venture capital costumam ter teses de investimento específicas, definindo setor, estágio e ticket de investimento preferido, o que torna importante para a startup identificar fundos cuja tese esteja alinhada ao seu perfil antes de buscar essa captação.
FIPs corporativos: a conexão com corporate venture capital
Empresas que estruturam programas de corporate venture capital de forma mais robusta muitas vezes optam por criar seu próprio FIP, em vez de fazer investimentos diretos e pontuais. Essa estrutura permite maior governança sobre a estratégia de investimento e facilita eventual entrada de outros investidores no mesmo veículo, ampliando a capacidade de investimento além do capital exclusivo da empresa patrocinadora.
Vantagens tributárias
FIPs têm um regime tributário específico que, sob certas condições, pode ser mais eficiente do que outras formas de investimento direto em participações societárias, o que é um dos motivos práticos pelos quais essa estrutura se tornou o padrão de mercado para veículos de venture capital e private equity no Brasil.
Vale entender essa estrutura mesmo sem ser investidor
Empresas que buscam captar investimento, ou empreendedores em fase de estruturar uma rodada, se beneficiam de entender como um FIP funciona por dentro, já que isso ajuda a compreender as expectativas de governança, prestação de contas e prazo de saída que o fundo investidor provavelmente vai trazer para a negociação de investimento.




