Boa parte dos editais mais robustos da FINEP não é destinada a empresas isoladas, mas a projetos executados em parceria com universidades e institutos de pesquisa, no formato conhecido como execução em rede ou PD&I cooperativo.
O que é PD&I cooperativo
PD&I cooperativo é o modelo de projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação executado conjuntamente por uma empresa e uma ou mais Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), como universidades públicas ou privadas e institutos de pesquisa. A FINEP prioriza esse formato em diversos editais justamente porque ele combina a capacidade de pesquisa acadêmica com a aplicação prática e o conhecimento de mercado da empresa parceira.
Por que esse modelo é priorizado
Projetos cooperativos tendem a ter acesso a conhecimento técnico mais avançado do que uma empresa conseguiria desenvolver sozinha, especialmente em áreas de pesquisa mais básica ou aplicada que exigem infraestrutura laboratorial cara, como equipamentos especializados que universidades já possuem. Ao mesmo tempo, a participação da empresa garante que o conhecimento gerado tenha aplicação prática real, evitando que a pesquisa fique restrita ao ambiente acadêmico sem chegar ao mercado.
Como estruturar essa parceria
O primeiro passo é identificar um grupo de pesquisa ou departamento universitário com expertise técnica alinhada ao problema que a empresa quer resolver. Muitas dessas conexões acontecem por meio de núcleos de inovação tecnológica das próprias universidades, estruturas que existem justamente para facilitar esse tipo de aproximação entre empresas e pesquisadores.
A divisão de papéis no projeto
Em um projeto bem estruturado, a universidade costuma contribuir com a investigação técnica mais profunda, orientação de pesquisadores e uso de infraestrutura laboratorial, enquanto a empresa contribui com o direcionamento prático do problema, parte da contrapartida financeira e a capacidade de levar o resultado da pesquisa a uma aplicação real no mercado. Definir essa divisão com clareza desde o início evita conflitos sobre responsabilidades ao longo da execução.
Propriedade intelectual: um ponto que precisa de acordo prévio
Um dos aspectos mais delicados de projetos cooperativos é a definição de quem detém a propriedade intelectual gerada pelo projeto, especialmente quando o resultado tem potencial de patenteamento. Esse acordo precisa ser formalizado antes do início da execução, evitando disputas posteriores sobre quem tem direito a explorar comercialmente a tecnologia desenvolvida em parceria.
Como isso se conecta à Lei do Bem
Empresas que já usam a Lei do Bem podem, dentro de certas condições, considerar pagamentos feitos a universidades e institutos de pesquisa parceiros em projetos de PD&I como parte da base de despesas elegíveis, desde que a natureza da atividade se enquadre nos critérios da lei e não haja sobreposição indevida com o recurso já recebido via FINEP para o mesmo projeto.
Desafios comuns nesse tipo de parceria
Diferenças de ritmo entre o ambiente acadêmico, com prazos mais longos e processos de aprovação institucional mais burocráticos, e o ambiente empresarial, que costuma esperar respostas mais rápidas, são uma fonte comum de atrito. Empresas que entram nesse tipo de parceria precisam ajustar expectativas de cronograma desde o início, reconhecendo que a colaboração com uma ICT tem um ritmo diferente de um fornecedor de mercado tradicional.
Antes de buscar essa parceria
Vale mapear, dentro de universidades com histórico relevante na área técnica de interesse da empresa, quais grupos de pesquisa já têm experiência prévia com projetos cooperativos financiados pela FINEP, já que esse histórico costuma indicar maior familiaridade com os processos administrativos e prazos exigidos por esse tipo de financiamento.




