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Entenda como funciona o modelo tripartite da EMBRAPII, quais são os programas HardwareBR e IoT & Manufatura 4.0, quem pode participar e como dar o primeiro passo para contratar um projeto de PD&I sem esperar editais.
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Como funciona a parceria EMBRAPII para hardware e IoT: guia completo para empresas industriais

O Brasil encerrou 2024 com um déficit comercial de US$ 40,1 bilhões no setor elétrico e eletrônico, segundo a ABINEE, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. O número mostra com clareza o quanto o país ainda depende de tecnologia importada para sustentar sua cadeia produtiva. É nesse contexto que a parceria EMBRAPII para hardware e IoT ganha relevância concreta: não como discurso de política industrial, mas como mecanismo operacional disponível hoje para empresas que precisam desenvolver tecnologia própria com custo e risco reduzidos.

O que é a EMBRAPII e qual é seu papel na inovação industrial

A EMBRAPII, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, é uma organização social criada em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em conjunto com o Ministério da Educação. Seu propósito é conectar empresas industriais a centros de pesquisa credenciados, chamados de Unidades EMBRAPII, para viabilizar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com cofinanciamento público não reembolsável.

Em 12 anos de operação, a EMBRAPII acumulou mais de 3.070 projetos apoiados, envolveu mais de 2.068 empresas e mobilizou R$ 5,74 bilhões em investimentos em PD&I. Em 2024, a instituição bateu recorde ao financiar 610 projetos e superar a marca de R$ 1 bilhão em um único ano. Em 2025, o crescimento continuou: foram mais de 700 novos contratos fechados, a maior marca anual da história da organização.

Para o setor de tecnologia, os números são expressivos. Em seis anos, a EMBRAPII apoiou 572 projetos de TIC, cobrindo IoT, hardware, inteligência artificial e integração de sistemas, com investimento total de R$ 680,7 milhões e atendimento a 463 empresas de diferentes setores industriais.

Como funciona o modelo tripartite de financiamento da EMBRAPII

O modelo de financiamento da EMBRAPII é estruturado em três partes: a própria EMBRAPII, a empresa contratante e a Unidade EMBRAPII responsável pela execução do projeto. Cada parte tem uma contribuição definida.

A EMBRAPII aporta até um terço do valor total do projeto em recursos financeiros não reembolsáveis, ou seja, a empresa não precisa devolver esse montante em nenhuma hipótese. Os dois terços restantes são divididos entre a empresa, que contribui com recursos financeiros, e a Unidade EMBRAPII, que pode contribuir com recursos econômicos como equipe de pesquisa, horas de laboratório, infraestrutura e gestão do projeto.

Para projetos colaborativos que envolvam duas ou mais empresas, sendo ao menos uma com receita operacional bruta de até R$ 90 milhões, o aporte da EMBRAPII pode chegar a 50% do valor contratado. Isso amplia o acesso ao modelo para startups e empresas de médio porte que normalmente têm menos capacidade de arcar com projetos de maior complexidade tecnológica.

Um ponto relevante é que a contratação não depende de editais com prazos fixos. O fluxo é contínuo: a empresa apresenta seu desafio tecnológico a uma Unidade EMBRAPII, negocia o escopo e o orçamento diretamente com a equipe de pesquisa e formaliza o projeto. Os recursos da EMBRAPII já estão disponíveis nas Unidades, o que elimina a espera comum em outros mecanismos de fomento.

Quais são os programas da EMBRAPII para hardware e IoT

A EMBRAPII opera dois Programas Prioritários de Interesse Nacional (PPIs) voltados especificamente para o setor de tecnologia: o HardwareBR e o IoT & Manufatura 4.0. Ambos são reconhecidos pelo MCTI e estruturados para cumprir as obrigações de investimento em PD&I previstas na Lei de TICs (Lei 8.248/1991).

ProgramaFoco principalPerfil de empresa
HardwareBRDesenvolvimento de tecnologias e infraestrutura de pesquisa para a cadeia produtiva de hardware nacionalEmpresas habilitadas pela Lei de TICs que buscam fortalecer competências em eletrônica e microeletrônica
IoT & Manufatura 4.0Digitalização industrial, conectividade, automação avançada e plataformas de IoTEmpresas que atuam com automação, integração de sistemas, sensores e transformação digital da produção

O que é o programa HardwareBR?

O HardwareBR é um PPI coordenado pela EMBRAPII para apoiar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à cadeia produtiva de hardware no Brasil. Ao aportar recursos nesse programa, a empresa cumpre sua obrigação legal de investimento em PD&I prevista na Lei de TICs e contribui para a formação de capacidades nacionais em eletrônica, componentes e sistemas embarcados. O programa também incentiva a criação de conhecimento e infraestrutura de pesquisa que possam gerar novas tecnologias de hardware com potencial de comercialização.

O que é o PPI IoT & Manufatura 4.0?

O PPI IoT & Manufatura 4.0 é direcionado ao desenvolvimento de soluções ligadas à Internet das Coisas, digitalização industrial e automação avançada. Projetos nesse programa podem envolver plataformas de conectividade, sensores industriais, gateways, sistemas de monitoramento remoto, integração de dados em nuvem e automação de processos produtivos. Para empresas obrigadas a investir em PD&I pela Lei de TICs, o depósito nesse PPI quita a obrigação de forma integral, no valor exato aportado, sem necessidade de comprovação adicional junto à Receita Federal.

Quem pode contratar um projeto com a EMBRAPII?

A EMBRAPII atende empresas industriais de diferentes portes e setores. Para ter acesso ao modelo, a empresa deve atender ao menos um dos seguintes critérios:

  • Possuir CNAE principal enquadrado como atividade industrial
  • Atuar no setor de energia, gás e utilidades
  • Ser beneficiária da Lei da Informática ou da Lei de TICs
  • Ser uma startup, micro ou pequena empresa interessada em inovação tecnológica (com condições específicas de cofinanciamento)

Não é necessário ser uma grande empresa. O modelo da EMBRAPII foi desenhado para ser acessível a diferentes escalas: de startups que desenvolvem seu primeiro produto de IoT a grandes fabricantes que buscam reduzir a dependência de fornecedores externos de hardware.

A única restrição relevante para projetos na área de mobilidade, por exemplo, é que empresas com CNAE principal 29.1 e 29.2 (montadoras) não podem contratar individualmente, mas podem participar em consórcios.

Passo a passo: como iniciar uma parceria com a EMBRAPII

O processo de contratação é mais direto do que parece. As etapas principais são:

  1. Identificar o desafio tecnológico que a empresa quer resolver, seja o desenvolvimento de um novo produto de IoT, a criação de firmware embarcado, a integração de sensores ou qualquer outro projeto de hardware com componente inovador.
  2. Encontrar a Unidade EMBRAPII com competência técnica alinhada ao projeto. A rede conta com 96 Unidades credenciadas, distribuídas por todo o Brasil, incluindo institutos de pesquisa, universidades e centros tecnológicos como Inatel, Eldorado, IFSC, ITA e outros.
  3. Negociar o escopo e o orçamento diretamente com a equipe da Unidade. Nessa etapa, são definidos os objetivos, os prazos, as entregas e os valores que cada parte vai aportar.
  4. Formalizar o contrato e iniciar o projeto. A execução é acompanhada pela Unidade, com participação da empresa ao longo do processo.
  5. Receber os resultados e decidir, em conjunto com a Unidade, os termos de propriedade intelectual sobre as tecnologias geradas.

Para empresas que ainda não têm clareza sobre qual Unidade buscar, a EMBRAPII pode auxiliar na identificação do parceiro mais adequado. Eventos como o Embrapii Day também funcionam como ponto de encontro entre empresas e Unidades para negociação direta de projetos.

Propriedade intelectual, Lei do Bem e complementaridade com outros instrumentos

Um aspecto que gera dúvidas frequentes é a propriedade intelectual sobre os resultados do projeto. Na EMBRAPII, os termos de titularidade e direito de exploração comercial são negociados entre a empresa e a Unidade executora, mesmo quando há recursos não reembolsáveis envolvidos. Ou seja, a empresa não abre mão automaticamente da PI ao receber cofinanciamento público.

Outro benefício relevante é a possibilidade de combinar o modelo EMBRAPII com outros incentivos fiscais e instrumentos de fomento. Um projeto desenvolvido com apoio da EMBRAPII pode, simultaneamente, gerar despesas elegíveis à dedução fiscal da Lei do Bem (Lei 11.196/2005), desde que a empresa cumpra os requisitos de apuração pelo Lucro Real e realize atividade inovadora no país. Também é possível combinar o financiamento da EMBRAPII com linhas reembolsáveis da FINEP ou do BNDES para projetos de maior porte.

Um projeto real: o primeiro PPI IoT & Manufatura 4.0

Para ilustrar como o modelo funciona na prática, vale observar o primeiro projeto contratado no âmbito do PPI IoT & Manufatura 4.0, viabilizado pelo Inatel, instituição credenciada como Unidade EMBRAPII.

O projeto envolveu a empresa Pixel TI, fabricante de soluções sem fio do Vale da Eletrônica, e teve como objetivo o desenvolvimento de um gateway para automação residencial. A Thales Group contribuiu com tecnologia NB-IoT para conectar o gateway à nuvem, permitindo o controle remoto de dispositivos como sensores de temperatura, umidade, luminosidade, fechaduras eletrônicas e acionadores de portas e janelas. O hardware do equipamento ficou como propriedade intelectual do Inatel.

Para o diretor da Pixel TI, a parceria com a EMBRAPII foi o que tornou viável chegar ao mercado com velocidade. O caso mostra como pequenas empresas de produto podem usar o modelo para desenvolver soluções de IoT com infraestrutura de pesquisa e cofinanciamento que, sozinhas, não teriam condições de montar internamente.

Por onde começar

O ponto de entrada mais direto é identificar qual desafio tecnológico a empresa enfrenta hoje e que poderia se transformar em um projeto de PD&I: um novo produto, uma plataforma de conectividade, um componente de hardware que hoje é importado ou um sistema de automação que ainda não existe no mercado brasileiro.

A partir daí, o caminho é buscar a Unidade EMBRAPII com competência na área, apresentar o problema e entrar na negociação. O fluxo contínuo garante que não é necessário esperar edital ou janela de captação: o modelo está aberto e os recursos estão disponíveis.

Para empresas enquadradas na Lei de TICs, os PPIs HardwareBR e IoT & Manufatura 4.0 oferecem ainda a vantagem de transformar uma obrigação legal em investimento real de PD&I, com governança validada e processo de auditoria estruturado. Em vez de um aporte burocrático, a empresa passa a cofinanciar tecnologia que pode voltar para o setor na forma de projetos executados por centros de pesquisa de referência.

O modelo existe, está operando em escala nacional e já produziu resultados concretos. O próximo passo depende de quem decide começar.

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Uma evolução que reflete uma empresa mais estratégica e orientada ao crescimento e inovação. A Grownt atua como parceira de negócios, oferecendo consultoria em Lei do Bem, captação de fomentos e incentivos fiscais, Acreditamos que inovação e crescimento caminham juntos. Nosso compromisso é criar soluções que transformam empresas, impulsionam resultados e geram impacto positivo no mercado. Buscamos constantemente novas oportunidades para expandir nossa atuação e gerar ainda mais valor para clientes e parceiros. Um ecossistema de inovação completo.