O BNDES Mais Inovação consolidou-se, nos últimos anos, como um dos principais instrumentos de financiamento à inovação no país. Dados do painel de desempenho do programa mostram que, entre 2023 e 2025, foram liberados mais de R$ 21 bilhões em 4.653 operações em todo o Brasil.
Os números revelam não apenas o volume de recursos, mas também a geografia do crédito à inovação, com forte concentração regional e diferenças relevantes entre estados quando se observa valor total financiado, número de operações e ticket médio por missão estratégica.
Concentração regional do crédito à inovação
As regiões Sul e Sudeste concentram 77% das operações realizadas pelo programa, o equivalente a 3.595 contratos, e 88% dos recursos liberados no período analisado.
O Sudeste, sozinho, recebeu R$ 15,1 bilhões. Dentro desse recorte, São Paulo responde por R$ 12,7 bilhões, posicionando-se como o principal polo de captação de crédito para inovação no Brasil.
Essa concentração dialoga com a maior densidade industrial, tecnológica e financeira dessas regiões, além da presença de ecossistemas mais estruturados de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
O protagonismo de São Paulo nas missões estratégicas
O BNDES Mais Inovação está organizado em missões estratégicas alinhadas a prioridades nacionais. São Paulo está presente em todas elas com o maior valor financiado e lidera o valor médio por operação em três frentes:
- Defesa: ticket médio de R$ 83,7 milhões
- Infraestrutura: ticket médio de R$ 51,9 milhões
- Saúde: ticket médio de R$ 134,6 milhões
Esse desempenho indica não apenas volume, mas também capacidade de estruturar projetos de maior porte, especialmente em setores intensivos em capital e tecnologia.
Onde outros estados lideram em ticket médio
Apesar da liderança paulista em escala e capilaridade, a análise detalhada mostra que outros estados assumem protagonismo em valor médio por contrato em missões específicas.
Agronegócio e cadeias agroindustriais
Na missão voltada a cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, o Paraná lidera o valor médio por operação, com R$ 11,2 milhões, acima da média de São Paulo, em torno de R$ 7,1 milhões.
Ainda que São Paulo lidere em valor total financiado, com R$ 1 bilhão, e em número de operações, 78 contratos, o Paraná apresenta operações individualmente mais robustas.
Bioeconomia e transição energética
Na missão relacionada à bioeconomia, descarbonização e segurança energética, São Paulo lidera em valor total e número de operações. Contudo, os maiores tickets médios foram registrados em:
- Rio Grande do Sul, com média de R$ 500 milhões em uma operação
- Mato Grosso, com média de R$ 79,2 milhões em cinco operações
Os dados indicam que projetos pontuais, porém de grande porte, estão sendo estruturados fora do eixo paulista.
Transformação digital da indústria
Na missão de transformação digital da indústria, Minas Gerais lidera em número de operações, com 871 contratos, seguido por São Paulo, com 777.
Entretanto, o Amazonas apresentou ticket médio de R$ 14,4 milhões, aproximadamente três vezes superior ao observado em São Paulo, R$ 5,4 milhões, e quase dez vezes superior ao de Minas Gerais, R$ 1,5 milhão.
Esse contraste sugere estratégias distintas, com maior pulverização de contratos em alguns estados e concentração em operações mais estruturadas em outros.
O que os dados revelam sobre o mapa da inovação no Brasil
A análise consolidada aponta três movimentos relevantes:
- São Paulo lidera em escala, com maior volume total de recursos e forte presença em todas as missões estratégicas.
- Há especializações regionais, com estados assumindo protagonismo em missões específicas.
- O ticket médio varia significativamente, o que indica diferenças na maturidade dos projetos, no perfil das empresas demandantes e na estrutura dos investimentos.
O crédito à inovação no Brasil, portanto, combina concentração regional com oportunidades distribuídas em diferentes territórios e setores.

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