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A ENCTI 2024–2034 é o principal documento que vai orientar as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação no Brasil pela próxima década. Este artigo explica o que é a estratégia, como ela está estruturada e o que as empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação precisam saber para se posicionar diante das novas prioridades do governo federal.
ENCTI 2024-2034

ENCTI 2024–2034: o que muda para as empresas que investem em PD&I

O Brasil não tinha uma estratégia nacional de ciência, tecnologia e inovação desde 2022. A ENCTI 2024–2034, elaborada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com contribuição de mais de 100 mil pessoas pela 5ª Conferência Nacional de CT&I, chega para preencher essa lacuna e orientar as políticas públicas do setor pela próxima década. Para as empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação, o documento não é apenas uma declaração de intenções do governo: ele define quais setores receberão atenção prioritária, onde o financiamento público deve se concentrar e com quais instrumentos o setor privado poderá contar.


O que é a ENCTI 2024–2034?

A ENCTI (Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação) é o principal instrumento de orientação da política de CT&I do Brasil. Coordenada pelo MCTI e pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), ela define diretrizes de médio prazo para políticas públicas na área científica e tecnológica e pode subsidiar a formulação de outras políticas de interesse nacional.

A versão 2024–2034, cujo lema é “CT&I para um Brasil Justo, Desenvolvido e Soberano”, passou por consulta pública entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e aguarda publicação da versão final pelo MCTI. Seu texto consolidado já está disponível e reúne as recomendações aprovadas na 5ª Conferência Nacional de CT&I, realizada em 2024.

Para as empresas, o significado prático é simples: a ENCTI sinaliza onde o governo vai concentrar recursos, com quais parcerias o setor produtivo pode contar e quais áreas tecnológicas serão priorizadas em editais, chamadas e programas de fomento ao longo da próxima década.


Os quatro eixos estruturantes da ENCTI 2024–2034

A estratégia se organiza em quatro eixos, cada um com implicações diretas para o ambiente de inovação empresarial.

Eixo I — Expansão e integração do Sistema Nacional de CT&I

Este eixo trata do fortalecimento da base científica do país: universidades, institutos de pesquisa, fundações de amparo e infraestrutura laboratorial. Para as empresas, o impacto prático está na ampliação das oportunidades de cooperação com ICTs (Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação). Quanto mais estruturado for o sistema nacional de pesquisa, mais facilidade as empresas têm para acessar competências externas, reduzir custos de PD&I e qualificar projetos para fomento público.

Eixo II — Inovação empresarial e reindustrialização em novas bases tecnológicas

É o eixo que mais interessa diretamente às empresas. Ele está alinhado às missões da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial de longo prazo lançada pelo governo federal com cerca de R$ 300 bilhões em financiamentos mobilizados até 2026. O foco recai sobre a transformação digital da indústria, a modernização de processos produtivos e a incorporação de tecnologias emergentes no tecido industrial brasileiro. Empresas que já investem em PD&I e conseguem demonstrar conexão com essas missões têm mais facilidade de acessar linhas específicas de fomento e crédito.

Eixo III — Projetos estratégicos para a soberania nacional

Este eixo concentra iniciativas em áreas consideradas críticas para a autonomia tecnológica do país: inteligência artificial, semicondutores, tecnologias quânticas, defesa, saúde e transição energética. Para empresas que atuam ou querem atuar nessas frentes, a ENCTI sinaliza que haverá atenção e recursos governamentais concentrados nelas. Isso implica potencialmente mais editais, mais parcerias com universidades e mais visibilidade para projetos que se encaixem nessas agendas.

Eixo IV — CT&I para o desenvolvimento social

Saúde, segurança alimentar, habitação, inclusão digital e popularização da ciência. Este eixo abre espaço para empresas de setores como healthtech, agro, educação e tecnologia assistiva que desenvolvam soluções com impacto social mensurável. O fomento aqui tende a vir acompanhado de exigências de alcance e democratização do acesso às soluções desenvolvidas.


Quais setores ganham prioridade na próxima década?

A ENCTI faz uma distinção importante: de um lado, identifica setores em que o Brasil já exerce liderança global e onde a estratégia é ampliar vantagens competitivas; do outro, aponta áreas que demandam esforços intensivos para o país alcançar autonomia tecnológica.

Áreas de liderança reconhecida:

  • Agrociências e agrotecnologia
  • Bioeconomia
  • Saúde humana e vacinas

Áreas de esforço intensivo:

  • Inteligência artificial
  • Semicondutores e manufatura avançada
  • Tecnologias quânticas
  • Transição energética e hidrogênio verde

Para empresas que operam em qualquer um desses segmentos, a ENCTI representa um sinal claro de onde o governo pretende concentrar recursos públicos e parcerias estratégicas ao longo da próxima década. Empresas fora desses setores não ficam excluídas dos instrumentos de fomento existentes, mas aquelas alinhadas às prioridades da estratégia tendem a encontrar um ambiente mais favorável para acessar editais e programas específicos.


A conexão entre a ENCTI e os instrumentos de fomento que já existem

A ENCTI não cria novos benefícios fiscais nem substitui os instrumentos que as empresas já utilizam. Ela atua como mapa de prioridades que orienta a aplicação desses instrumentos. Por isso, é relevante entender como ela se articula com o que já está disponível.

Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005)

O principal incentivo fiscal para PD&I no Brasil segue ativo e com crescimento expressivo. Em 2025 (ano-base 2024), mais de 4.200 empresas utilizaram o benefício, direcionando R$ 51,6 bilhões para atividades de pesquisa e desenvolvimento em cerca de 14 mil projetos, com renúncia fiscal estimada em R$ 12 bilhões. A ENCTI não altera as regras da Lei do Bem, mas reforça o ambiente político favorável à manutenção e eventual ampliação do instrumento, especialmente nas áreas que a estratégia prioriza.

FINEP e CNPq

As chamadas e editais dessas agências tendem a se alinhar progressivamente às missões da ENCTI. Empresas que desenvolvem projetos em áreas como IA, bioeconomia, transição energética e saúde devem acompanhar as chamadas com atenção à nova linguagem estratégica do MCTI, que será cada vez mais pautada pelos eixos da ENCTI.

Nova Indústria Brasil (NIB)

A NIB e a ENCTI foram desenhadas de forma complementar. Enquanto a NIB opera com metas setoriais específicas e instrumentos financeiros do BNDES, a ENCTI fornece o arcabouço estratégico que justifica e orienta essas intervenções. Para empresas industriais com projetos de PD&I, navegar pelos dois instrumentos ao mesmo tempo pode ampliar consideravelmente o acesso a financiamento público.


O que a ENCTI não é: limitações que as empresas precisam conhecer

A ENCTI é um documento de diretrizes, não um programa de execução. Ela não cria obrigações para as empresas, não estabelece prazos contratuais, não define valores de renúncia fiscal e não substitui os planos de ação que precisarão ser elaborados separadamente pelo MCTI.

O documento prevê a criação posterior de um Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI Quinquenal), que traduzirá as diretrizes em metas operacionais, orçamento e indicadores. Enquanto esse plano não é publicado, a ENCTI funciona mais como bússola do que como mapa detalhado.

Além disso, a versão final da estratégia ainda estava em processo de consolidação no início de 2026, incorporando contribuições da consulta pública encerrada em janeiro daquele ano. Empresas que tomarem decisões de PD&I baseadas exclusivamente no texto atual devem considerar que ajustes podem ocorrer na versão definitiva.


Por onde a sua empresa pode começar

Para empresas que já investem em PD&I, o passo imediato é verificar se os projetos em andamento se encaixam em algum dos eixos ou setores priorizados pela ENCTI. Essa verificação não precisa resultar em mudança de estratégia tecnológica, mas pode ampliar o vocabulário com o qual a empresa dialoga com agências de fomento, bancos de desenvolvimento e parceiros acadêmicos.

Para empresas que ainda não estruturaram uma agenda formal de PD&I, a ENCTI 2024–2034 oferece um ponto de entrada: ela indica os setores que o governo federal considera estratégicos, os instrumentos que serão priorizados e as parcerias que serão incentivadas. Começar por aí é mais eficiente do que descobrir as oportunidades de forma fragmentada, edital por edital.

A estratégia também reforça algo que as empresas mais maduras em inovação já praticam: PD&I não é projeto isolado, mas processo contínuo com planejamento de longo prazo. A ENCTI oferece, pela primeira vez em anos, um horizonte de dez anos com prioridades declaradas pelo Estado brasileiro. Empresas que souberem ler esse sinal com antecedência saem na frente.

GT Group agora é Grownt.

Uma evolução que reflete uma empresa mais estratégica e orientada ao crescimento e inovação. A Grownt atua como parceira de negócios, oferecendo consultoria em Lei do Bem, captação de fomentos e incentivos fiscais, Acreditamos que inovação e crescimento caminham juntos. Nosso compromisso é criar soluções que transformam empresas, impulsionam resultados e geram impacto positivo no mercado. Buscamos constantemente novas oportunidades para expandir nossa atuação e gerar ainda mais valor para clientes e parceiros. Um ecossistema de inovação completo.