O BRICS STI Framework Programme é uma iniciativa conjunta dos países do BRICS para financiar projetos de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidos em cooperação entre instituições de diferentes países do bloco. Desde 2016, o programa já apoiou mais de 150 projetos em áreas estratégicas, o que demonstra um histórico consistente de apoio a parcerias científicas e tecnológicas de alta qualidade.
Em 2025, o BRICS reúne economias que respondem por quase metade da população mundial e cerca de 39% do PIB global (medido em paridade de poder de compra), o que torna o bloco um ambiente relevante para a internacionalização da pesquisa e da inovação.
Dentro desse contexto, o programa de financiamento em STI (Science, Technology and Innovation) funciona como um mecanismo coordenado: cada país financia as instituições do próprio território, seguindo regras nacionais, mas todos trabalham em torno de chamadas conjuntas para projetos multilaterais.
O que é a 1st Innovation Call 2025
A 1st BRICS STI Framework Programme Innovation Call 2025 é uma chamada especial focada em projetos de inovação aplicada. Ela foi lançada em agosto de 2025 e está aberta até 3 de dezembro de 2025, às 15h (horário de Moscou, UTC+3), com janelas e prazos complementares em cada país participante.
O objetivo central da chamada é apoiar projetos multinacionais de P&D e inovação que:
- envolvam consórcios com, no mínimo, dois países do BRICS;
- trabalhem com tecnologias já validadas em laboratório ou em ambiente relevante, ou seja, em estágios de maturidade mais avançados;
- foquem em maturação tecnológica, modelo de negócios, comercialização e implantação em mercado, em diferentes áreas tecnológicas;
- tenham duração de até 3 anos, com início previsto para o segundo trimestre de 2026.
A chamada está alinhada à Declaração da Cúpula do BRICS em Kazan e ao Plano de Ação para Inovação 2025–2030, que coloca a cooperação em inovação como um dos instrumentos centrais para desenvolvimento econômico e social nos países do BRICS.
Qual é o papel da Finep na chamada
A Finep – Agência Brasileira de Inovação é uma das organizações financiadoras nacionais no âmbito da 1st Innovation Call 2025, ao lado do CNPq no Brasil.
Na prática, isso significa que:
- a Finep será responsável por analisar e financiar a parte brasileira dos projetos aprovados;
- os projetos precisam seguir, além das regras globais da chamada, as regras específicas da Finep, que serão detalhadas no Anexo Nacional brasileiro ligado ao edital BRICS;
- a agência atua de forma coordenada com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que em 2025 lidera a presidência dos BRICS e coordena o Plano de Ação para Cooperação em Inovação 2025–2030.
Para empresas, ICTs e startups brasileiras, a presença da Finep na chamada aumenta a previsibilidade do processo, pois traz para o ambiente da cooperação internacional mecanismos de financiamento já conhecidos no ecossistema nacional.
Quem pode participar a partir do Brasil
Os detalhes completos de elegibilidade serão definidos no Anexo Nacional do Brasil, mas o desenho geral da chamada indica um foco em instituições que já atuam fortemente em P&D e inovação. Considerando a estrutura global da 1st Innovation Call 2025, tendem a ser elegíveis:
- Empresas inovadoras (incluindo PMEs) com projetos de base tecnológica;
- Instituições científicas e tecnológicas (ICTs), como universidades, institutos de pesquisa e centros tecnológicos;
- Startups e spin-offs de base tecnológica, quando os instrumentos nacionais permitirem;
- Parcerias entre empresas e ICTs, integradas a consórcios com instituições de ao menos um outro país do BRICS.
Independentemente da natureza da instituição, um ponto é determinante:
o projeto precisa fazer sentido como colaboração internacional, com complementaridade real entre os parceiros de diferentes países, seja em termos de tecnologia, mercado, infraestrutura ou competências científicas.
Como funciona o financiamento
Na 1st Innovation Call 2025, o financiamento segue o modelo “cada país financia o seu”:
- cada instituição brasileira participante solicita recursos à Finep (e/ou CNPq, dependendo da linha);
- as condições de apoio – formatos de apoio financeiro, limites de orçamento, contrapartidas, itens financiáveis – são definidas pelas regras nacionais de cada agência;
- os parceiros estrangeiros buscam financiamento junto às suas próprias organizações financiadoras (como o MOST na China, CSIR/DBT/DST na Índia, TIA na África do Sul, entre outras).
No plano global, o consórcio negocia um projeto unificado, com metas, atividades e orçamento coordenados, mas a execução financeira é descentralizada e acompanha as normas de cada país.
Etapas principais para submeter um projeto
Para quem está no topo ou meio de funil, avaliando se faz sentido ou não entrar na chamada, é útil visualizar as etapas principais do processo:
- Mapear parceiros nos países do BRICS
- identificar empresas, universidades ou centros de pesquisa complementares em pelo menos um outro país do bloco;
- verificar se essas instituições são elegíveis junto às agências de fomento de seus países.
2. Definir o foco do projeto de inovação
- escolher uma tecnologia já validada em laboratório ou em ambiente relevante;
- estruturar o propósito do projeto em termos de maturação tecnológica, modelo de negócios, escalabilidade e entrada em mercado.
3. Construir o consórcio e o plano de trabalho
- detalhar entregas, responsabilidades, cronograma de até 3 anos e indicadores de resultados;
- definir quem será o Project Coordinator, responsável pela submissão conjunta ao BRICS STI Framework Programme.
- Submeter o formulário conjunto (JAF)
- o coordenador registra o projeto no sistema BRICS AMS e envia o Joint Application Form (JAF) em inglês;
4. Submeter o componente nacional à Finep
- a equipe brasileira envia a proposta nacional seguindo as instruções da Finep e demais órgãos nacionais envolvidos;
- o projeto só é considerado completo quando o formulário conjunto e todos os componentes nacionais forem submetidos dentro dos prazos.
Por que a participação da Finep é estratégica para o Brasil
A presença da Finep na 1st BRICS STI Framework Programme Innovation Call 2025:
- aproxima a política de inovação brasileira dos instrumentos multilaterais, conectando empresas e ICTs nacionais a redes internacionais de P&D;
- incentiva projetos com clara orientação a mercado, em parceria com instituições estrangeiras que dominam outros estágios da cadeia de inovação;
- reforça o papel do Brasil na agenda de inovação do BRICS, em um momento em que o bloco discute um Plano de Ação 2025–2030 voltado a empreendedorismo, transferência de tecnologia e cooperação entre ecossistemas de inovação.
Para organizações brasileiras que já desenvolvem P&D em parceria com a Finep ou que planejam internacionalizar suas tecnologias, essa chamada funciona como um ponto de entrada estruturado para consórcios globais, com uma lógica de financiamento que combina instrumentos nacionais já conhecidos com uma plataforma de cooperação internacional consolidada.





