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Em 2026, a Reforma Tributária entra na sua fase mais prática, com testes do IVA dual por meio de IBS e CBS, incluindo mudanças nos documentos fiscais e um projeto piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS com 123 empresas selecionadas pelo CGIBS. Apesar de flexibilizações e janelas sem penalidades em determinados prazos, o ano tende a expor inconsistências de cadastros, parametrizações e fluxos de emissão e escrituração, o que torna 2026 um período recomendável para fortalecer governança de dados fiscais, testar processos de ponta a ponta e estruturar auditorias preventivas.
Reforma Tributária em 2026

Reforma Tributária em 2026: como começam os testes de IBS e CBS e o que muda na nota fiscal 

2026 marca o começo prático da transição da Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil. Mesmo sem “virada de chave” imediata em termos de pagamento de novos tributos, o ano inaugura uma fase que costuma ser subestimada: a fase de testes operacionais, com impactos reais em processos fiscais, cadastros, parametrizações de sistemas e rotinas de emissão de documentos fiscais. 

Dois movimentos ajudam a entender esse início: de um lado, o avanço do projeto piloto do IBS, com empresas selecionadas para testar a apuração assistida; de outro, a inclusão e adaptação de campos de IBS e CBS nos documentos fiscais, com um desenho de implementação que prioriza aprendizado e conformidade antes de efeitos financeiros. 

A seguir, você encontra um panorama claro do que está acontecendo em 2026, por que esses testes importam e quais pontos valem atenção desde já. 

O que está sendo testado em 2026 na Reforma Tributária

Na prática, o que começa em 2026 é a validação da engrenagem operacional do novo modelo de tributação do consumo, conhecido como IVA dual, com dois componentes principais: CBS (federal) e IBS (estadual e municipal).  

Essa fase tem duas características que aparecem repetidamente nas comunicações e análises recentes: 

  1. Caráter informativo e de adaptação, com exigências ligadas a preenchimento e consistência de dados, mais do que a recolhimento. Em diversas frentes, 2026 é tratado como período de testes “sem efeito financeiro” em determinados contextos e prazos, justamente para viabilizar ajustes.  
  2. Foco em tecnologia e processos, porque a Reforma Tributária não altera apenas alíquotas e regras, ela também exige um nível maior de padronização de cadastros, classificação fiscal, parametrização de ERP e governança de dados fiscais, especialmente quando o documento fiscal passa a carregar novos campos e validações. 

Em outras palavras, 2026 tende a ser menos sobre “quanto pagar” e mais sobre “como emitir, registrar, apurar e auditar” com qualidade. 

Projeto piloto do IBS: 123 empresas e a apuração assistida

Um dos marcos mais objetivos desse início de testes é o projeto piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS, conduzido no âmbito do Comitê Gestor do IBS (CGIBS). O CGIBS divulgou uma lista com 123 empresas selecionadas para a primeira fase do piloto, com início previsto para 5 de janeiro 

Segundo divulgações que repercutem o piloto, o objetivo é testar por três meses, em âmbito nacional, a solução tecnológica de apuração do novo tributo.  

Mesmo que a maioria das empresas não esteja no grupo piloto, esse movimento é relevante por três motivos: 

  • Sinaliza maturidade do cronograma, porque um piloto estruturado antecipa problemas típicos de implantação, como integração de dados, regras de validação e padronização de eventos fiscais.  
  • Tende a influenciar fornecedores e padrões de mercado, já que a apuração assistida depende de dados consistentes desde a emissão do documento fiscal até escrituração e conferência. 
  • Produz aprendizados que se espalham, pois as boas práticas e exigências que emergem do piloto normalmente viram referência para parametrizações futuras, manuais e rotinas de conformidade. 

O JOTA também destacou que, entre as empresas participantes, há companhias de grande porte, o que aumenta a probabilidade de o piloto gerar efeitos indiretos relevantes, incluindo ajustes em sistemas e em processos de mercado.  

Nota fiscal em 2026: IBS e CBS começam a aparecer, e isso muda rotinas

Para muitas empresas, a mudança mais visível em 2026 é o avanço do tema nota fiscal 2026, com novos campos relacionados a IBS e CBS. 

Coberturas recentes reforçam que a nomenclatura e o destaque desses tributos entram na fase de testes nos documentos fiscais, o que amplia a importância de parametrização e qualidade de dados, mesmo sem cobrança imediata associada a esse destaque em determinados contextos.  

Na prática operacional, isso costuma gerar impactos em cadeia: 

  • Cadastro de produtos e serviços: NCM, CST/CSOSN, regras de tributação por operação, unidade de medida, natureza da operação, CFOP e outros parâmetros passam a ter ainda mais relevância quando o documento fiscal precisa carregar novas marcações com consistência. 
  • Regras por cenário: venda interestadual, devolução, bonificação, industrialização, remessas e operações com benefícios fiscais são exemplos de cenários que normalmente concentram inconsistências. 
  • Integração ERP + mensageria + emissão: qualquer desalinhamento de versões, schemas ou parametrizações tende a aparecer como rejeição, erro de validação ou divergência de cálculo informativo. 

Mesmo no topo e meio de funil, dá para resumir o recado prático: se o documento fiscal muda, o custo de ajustes costuma ser menor quando feito preventivamente, e maior quando feito sob pressão de prazos. 

Flexibilização da fase de testes: prazos, penalidades e recolhimento

Um ponto importante de 2026 é que a fase de testes tem sido desenhada com flexibilizações para reduzir riscos imediatos e permitir adaptação. Em reportagens sobre o tema, a Receita Federal é citada ao indicar que não haverá aplicação de penalidades pela ausência de preenchimento dos campos da CBS e do IBS até o primeiro dia do quarto mês seguinte à publicação de regulamentos, e que a apuração de 2026 pode ser tratada como informativa, sem efeitos financeiros, dentro das condições tratadas na norma e em suas comunicações.  

Além disso, há registros de que a Receita Federal adiou a obrigatoriedade de preenchimento dos campos de IBS e CBS nas notas fiscais em etapa anterior, o que reforça a leitura de que 2026 é um ano de implementação com calibragem do cronograma.  

Aqui, vale uma postura de gestão de risco: flexibilização não significa que “não precisa fazer”, significa que existe uma janela mais segura para corrigir inconsistências antes que elas virem passivos. 

O que observar em 2026, mesmo se sua empresa não estiver no piloto

Para uma empresa típica, especialmente aquelas em crescimento, com múltiplas filiais, marketplaces, operações interestaduais ou alto volume de notas, 2026 tende a ser um bom ano para estruturar três frentes. 

1) Governança de dados fiscais 

Mapeie onde nascem as informações que alimentam a nota fiscal, quem aprova alterações de cadastro, como exceções são tratadas e como a empresa controla divergências entre áreas, por exemplo comercial, fiscal e TI. 

2) Parametrização e testes de ponta a ponta 

Não basta “ligar o campo” no emissor. O fluxo precisa funcionar do pedido até a emissão, escrituração, conciliação e relatórios. Quando IBS e CBS entram no documento, inconsistências costumam aparecer em cenários menos frequentes, e é neles que a correção costuma ser mais cara. 

3) Rotina de auditoria preventiva 

Com novos campos e regras, vale criar uma rotina simples e contínua de revisão, com amostragens por tipo de operação e alertas para anomalias, como mudanças abruptas de classificação, rejeições recorrentes e divergência entre sistemas. 

O início dos testes da Reforma Tributária em 2026 combina dois sinais claros: o sistema está sendo colocado para rodar, com piloto do IBS e apuração assistida, e a nota fiscal começa a refletir o novo modelo, com campos e exigências que pressionam qualidade de dados e processos.  

Para empresas que querem reduzir risco operacional e evitar retrabalho, a melhor leitura é tratar 2026 como um ano de preparação técnica e processual, com foco em consistência, testes e governança, aproveitando as janelas de flexibilização para corrigir o que hoje está “funcionando”, mas pode não passar por uma fase mais rigorosa adiante. 

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