Mesmo com a queda no volume total de patentes relacionadas à transição energética ao longo da última década, o Brasil mantém presença em áreas tecnológicas que acompanham as principais tendências globais. A análise setorial das patentes permite observar com mais precisão onde o esforço de inovação ainda se concentra e quais setores continuam sendo alvo de pesquisa e desenvolvimento. Em vez de olhar apenas para o total de registros, esse recorte ajuda a identificar padrões, prioridades e potenciais caminhos de fortalecimento da base tecnológica nacional.
Entre 2000 e 2024, a maior parte das patentes brasileiras ligadas às tecnologias habilitadoras da transição energética se distribuiu entre três setores centrais, energia elétrica, indústria e transporte, o mesmo arranjo observado no cenário internacional. Esse alinhamento setorial oferece uma leitura mais estratégica do desempenho brasileiro.
Energia elétrica: principal foco da inovação no Brasil
O setor de energia elétrica concentra a maior parcela das patentes brasileiras relacionadas à transição energética. Esse resultado acompanha a tendência global e reflete o papel central da eletrificação na redução de emissões e na modernização dos sistemas energéticos. No Brasil, as patentes nesse campo estão associadas a soluções para geração, transmissão, distribuição, operação de redes e melhoria da eficiência do sistema.
A predominância desse setor indica que o país direciona parte relevante de seu esforço tecnológico para áreas que sustentam a integração de fontes renováveis e a estabilidade do sistema elétrico. Ainda que o ritmo de registros tenha diminuído após o início da década de 2010, a energia elétrica segue como a base da inovação brasileira na agenda de transição energética.
O short study detalha essa concentração e mostra como a participação do setor elétrico evoluiu ao longo do tempo no Brasil e nos principais países líderes.
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Indústria: eficiência e transformação dos processos produtivos
A indústria aparece como o segundo maior destino das patentes brasileiras ligadas à transição energética. Esse grupo de registros reflete esforços voltados à eficiência energética, à modernização de processos, à redução de perdas e ao uso mais racional de energia em atividades produtivas. Trata-se de um campo relevante porque a indústria concentra parte significativa do consumo energético e das emissões associadas.
Patentes nesse setor indicam que a inovação no Brasil ainda busca ganhos incrementais, com foco em desempenho, confiabilidade e adaptação tecnológica. Embora o volume seja menor do que no setor elétrico, a presença consistente da indústria na distribuição de patentes sugere continuidade de esforços em áreas onde há espaço para redução de custos e melhoria de competitividade.
Transporte: mobilidade e aplicações de baixo carbono
O transporte completa o trio de setores que concentram as patentes brasileiras em tecnologias habilitadoras da transição energética. Os registros nessa área estão associados a soluções voltadas à mobilidade de baixo carbono, eficiência de sistemas de transporte e integração com a infraestrutura energética.
A participação do transporte indica que a inovação no Brasil também alcança aplicações finais da energia, conectando tecnologia a uso direto em veículos, logística e sistemas de mobilidade. Assim como nos outros setores, o desafio está menos na presença tecnológica e mais na escala e na continuidade do esforço inovador ao longo do tempo.
Alinhamento setorial com o cenário global
Quando comparado ao panorama internacional, o Brasil apresenta um perfil setorial semelhante ao dos países líderes, com concentração de patentes em energia elétrica, indústria e transporte. Esse alinhamento é relevante porque mostra que o país não está isolado em escolhas tecnológicas, mas segue as mesmas frentes consideradas estratégicas no avanço da transição energética global.
No entanto, a diferença aparece no volume e no ritmo de registros. Enquanto países como China, Estados Unidos e Japão ampliaram seus depósitos de forma contínua entre 2000 e 2024, o Brasil teve crescimento até o início da década de 2010 e queda posterior. A leitura setorial ajuda a entender que a base tecnológica existe, mas carece de instrumentos que sustentem expansão e recorrência.
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