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A captação de recursos via Lei do Bem pode ser mais eficiente quando a empresa organiza seus projetos de P&D, mantém registros consistentes, integra áreas técnicas e fiscais e adota critérios claros de elegibilidade. Com processos bem estruturados, é possível ampliar o aproveitamento dos incentivos fiscais e fortalecer a estratégia de inovação.
Lei do Bem e captação de recursos

Lei do Bem e captação de recursos: dicas para otimizar o processo  

A Lei do Bem é um dos principais incentivos fiscais para inovação no Brasil e permite que empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D) reduzam a carga de IRPJ e CSLL. Mesmo assim, muitas organizações deixam de aproveitar todo o potencial de captação de recursos por falhas de processo, documentação incompleta e falta de integração entre áreas. 

A seguir, veja dicas práticas para otimizar o uso da Lei do Bem e tornar o processo mais estratégico e previsível. 

Entenda o papel da Lei do Bem na estratégia de inovação

Antes de ajustar o processo, é importante enxergar a Lei do Bem como parte da estratégia de inovação e não apenas como um benefício fiscal isolado. 

Empresas que estruturam seus projetos de P&D com foco em resultado tecnológico e impacto no negócio conseguem: 

  • aumentar o volume de investimentos em inovação 
  • reduzir o custo efetivo dos projetos por meio dos incentivos fiscais 
  • criar uma base consistente de dados para decisões futuras 

Essa visão ajuda a conectar times de inovação, financeiro e fiscal em torno de um mesmo objetivo: investir melhor e capturar mais benefícios. 

Estruture um portfólio claro de projetos de P&D

Um passo decisivo para otimizar a captação de recursos via Lei do Bem é ter um portfólio de projetos de P&D bem definido. Em vez de tentar enquadrar qualquer iniciativa como inovação, vale adotar critérios objetivos. 

Inclua em cada projeto: 

  • descrição do problema ou desafio tecnológico 
  • objetivos técnicos e metas de desenvolvimento 
  • etapas e cronograma (planejamento, testes, validação, implantação) 
  • indicadores de sucesso e resultados esperados, mesmo que ainda incertos 

Com isso, a empresa ganha clareza sobre quais projetos têm aderência à Lei do Bem e evita discussões extensas apenas no fechamento do exercício. 

Padronize a documentação desde o início do projeto

A qualidade da documentação é determinante para a apuração do benefício. Em vez de reunir tudo de forma corrida ao final do ano, é mais eficiente criar uma rotina de registros ao longo de todo o ciclo do projeto. 

Alguns documentos que ajudam muito na hora de comprovar P&D: 

  • atas de reuniões técnicas e decisões de projeto 
  • relatórios de experimentos, testes e resultados intermediários 
  • registros de falhas, ajustes de rota e novas hipóteses 
  • evidências de protótipos, versões e melhorias do produto ou processo 
  • controle de horas da equipe dedicada à inovação 
  • notas fiscais vinculadas diretamente aos projetos de P&D 

Esse padrão de documentação reduz o risco de inconsistências e torna o processo de captação mais rápido e confiável. 

Crie centros de custo específicos para inovação

Outro ponto central para otimizar o uso da Lei do Bem é organizar as despesas de forma que seja possível identificar com clareza o que está ligado a P&D. 

Uma boa prática é criar centros de custo específicos para: 

  • salários e encargos da equipe de P&D 
  • contratação de serviços técnicos, testes e laboratórios 
  • aquisição de equipamentos, ferramentas e softwares usados em P&D 
  • materiais de consumo diretamente associados aos experimentos 

Essa separação facilita a análise de elegibilidade, reduz retrabalho na apuração dos benefícios fiscais e apoia a gestão do orçamento de inovação. 

Integre as áreas técnica, financeira, fiscal e jurídica

O aproveitamento da Lei do Bem depende tanto da robustez técnica dos projetos quanto da correta interpretação da legislação fiscal. Por isso, a integração entre áreas é essencial. 

Algumas ações práticas: 

  • realizar reuniões periódicas entre inovação/P&D, financeiro, fiscal e jurídico 
  • definir critérios internos para enquadramento de projetos na Lei do Bem 
  • alinhar o tipo de custos que serão considerados elegíveis 
  • criar fluxos claros de comunicação e aprovação de informações 

Quando essas áreas atuam de forma coordenada, a empresa consegue aumentar a segurança das informações, reduzir riscos de glosa e otimizar o benefício gerado. 

 

Defina critérios de elegibilidade e governança de inovação

Governança de inovação não se limita à criação de projetos, mas também à forma como eles são aprovados, acompanhados e encerrados. 

Para tornar o processo da Lei do Bem mais eficiente, vale: 

  • diferenciar atividades rotineiras de iniciativas com risco tecnológico 
  • formalizar regras sobre o que será considerado P&D 
  • instituir comitês ou fóruns de avaliação de projetos de inovação 
  • registrar responsáveis técnicos e patrocinadores internos de cada projeto 

Essa governança dá previsibilidade à empresa quanto ao volume de despesas elegíveis e ao potencial de benefícios fiscais ao longo do ano. 

Use ferramentas de gestão de projetos e de dados

A adoção de sistemas de gestão de projetos e de dados traz mais controle e visibilidade sobre as iniciativas de P&D. 

Com ferramentas adequadas é possível: 

  • registrar marcos, entregas e atividades de cada projeto 
  • centralizar documentos técnicos e financeiros 
  • acompanhar horas alocadas por colaborador e por projeto 
  • cruzar despesas por centro de custo, área e tipo de investimento 

Além disso, o uso de analytics permite simular cenários de benefício fiscal, relacionando investimento em inovação com economia de IRPJ e CSLL, o que apoia a tomada de decisão. 

Faça revisões periódicas e simulações de benefício

Em vez de tratar a Lei do Bem apenas no fechamento do exercício, é interessante adotar uma rotina de revisão periódica, por exemplo, trimestral ou semestral. 

Nessas revisões, a empresa pode: 

  • verificar se a documentação está sendo gerada de forma adequada 
  • ajustar o portfólio de projetos de P&D, priorizando os mais aderentes 
  • revisar as despesas elegíveis e identificar lacunas de registro 
  • simular o potencial de benefício fiscal com base no lucro projetado 

Essa visão antecipada permite corrigir rota a tempo, evitar surpresas e otimizar o volume total de recursos captados via Lei do Bem. 

Considere apoio especializado para ganhar maturidade

A Lei do Bem envolve conceitos técnicos de inovação e requisitos formais de natureza contábil e fiscal. Muitas empresas ganham eficiência ao contar com apoio especializado, especialmente nas fases iniciais ou em momentos de expansão do portfólio de P&D. 

Consultorias, escritórios especializados ou times internos dedicados podem ajudar a: 

  • avaliar a aderência dos projetos aos critérios de P&D 
  • fortalecer a argumentação técnica nos relatórios 
  • organizar processos e rotinas para os próximos anos 
  • mitigar riscos em eventuais questionamentos ou fiscalizações 

Esse suporte contribui para que a empresa evolua em maturidade e transforme a Lei do Bem em um componente estável de sua estratégia de inovação. 

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