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O Senado aprovou o projeto que cria o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), um novo incentivo fiscal que prevê créditos sobre PIS/Cofins, IRPJ e CSLL para modernização produtiva, compra de insumos e investimentos em eficiência energética e descarbonização. O programa, com vigência entre 2027 e 2031, deve gerar cerca de R$ 15 bilhões em renúncia fiscal, mas as estimativas indicam impactos econômicos superiores, como aumento da capacidade produtiva, retomada da competitividade e redução de emissões. O objetivo central é fortalecer um setor estratégico da economia brasileira, que enfrenta queda de produção, alto déficit comercial e forte competição internacional.
incentivo fiscal à indústria química

Incentivo fiscal à indústria química: Senado aprova, saiba o que muda com o Presiq

O Senado aprovou o PL 892/2025, que cria o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). O projeto segue agora para sanção presidencial e prevê incentivos fiscais voltados à modernização das plantas industriais, à transição energética e ao aumento da competitividade do setor químico brasileiro. 

Na prática, o programa combina: 

  • benefícios tributários para compras de insumos químicos; 
  • créditos financeiros vinculados a novos investimentos; 
  • ajustes no Reiq, o regime especial já existente para a indústria química. O desenho aprovado prevê renúncia fiscal de cerca de R$ 3 bilhões por ano entre 2027 e 2031, o que significa algo em torno de R$ 15 bilhões em cinco anos. 

Por que esse incentivo fiscal importa para a indústria química

A indústria química brasileira é um dos pilares da indústria de transformação: 

  • responde por cerca de 11% do PIB industrial; 
  • gera aproximadamente 2 milhões de empregos diretos e indiretos; 
  • tem faturamento na casa de US$ 160 bilhões ao ano; 
  • é um dos setores que mais recolhem tributos federais. 

Ao mesmo tempo, o setor vem enfrentando: 

  • queda de produção e de faturamento nos últimos anos; 
  • déficit comercial elevado, com forte dependência de importações de produtos químicos; 
  • pressão por investimentos em tecnologias mais limpas e eficientes. 

O Presiq surge justamente como uma tentativa de reequilibrar esse cenário, favorecendo investimentos em inovação, descarbonização e aumento de capacidade produtiva dentro do país. 

Como funciona o Presiq na prática

O programa foi desenhado para valer de janeiro de 2027 a dezembro de 2031 e está dividido em duas modalidades principais de benefício: 

  1. Modalidade industrial 
  1. Empresas habilitadas poderão receber créditos financeiros de até 6% sobre o valor gasto na compra de determinados insumos químicos. 
  1. O limite global dessa modalidade é de R$ 2,5 bilhões por ano entre 2027 e 2031. 
  1. Modalidade investimento 
  1. Voltada a centrais petroquímicas e indústrias químicas que assumirem compromissos formais de investimento. 
  1. Prevê créditos de até 3% sobre a receita bruta, limitados ao valor total do investimento aprovado. 
  1. O teto anual dessa linha é de R$ 500 milhões por ano no mesmo período. 

Os créditos serão vinculados a IRPJ e CSLL e não entram na base de cálculo de outros tributos, o que aumenta o efeito financeiro do incentivo. 

Além disso, o projeto também: 

  • reduz alíquotas de PIS/Cofins sobre produtos vendidos pelo setor dentro do Reiq; 
  • prevê incentivos específicos para empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; 
  • tem possibilidade de prorrogação dos benefícios, desde que respeitados os limites globais do programa. 

 

Impactos esperados: empregos, PIB e emissões

Estimativas usadas no debate legislativo indicam que o Presiq pode gerar, ao longo de sua vigência: 

  • R$ 112 bilhões de impacto no PIB; 
  • R$ 65,5 bilhões em arrecadação adicional; 
  • até 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos; 
  • elevação da utilização de capacidade instalada para até 95%; 
  • redução de 30% nas emissões de CO₂ por tonelada instalada. 

Ou seja, o governo abre mão de aproximadamente R$ 15 bilhões em tributos ao longo de cinco anos com a expectativa de destravar um volume bem maior de investimentos, produção, arrecadação e empregos. 

Quem pode se beneficiar com o incentivo fiscal

Para quem busca informação estratégica sobre o tema, vale acompanhar: 

  1. Sanção presidencial e possíveis vetos 
  1. Eventuais vetos podem alterar valores, prazos ou alcance dos benefícios. 
  1. Regulamentação do Presiq 
  1. Definição de quais insumos químicos geram crédito. 
  1. Critérios detalhados de habilitação para cada modalidade. 
  1. Regras de comprovação de investimentos e metas ambientais. 
  1. Interface com a Reforma Tributária 
  1. Como os créditos do Presiq vão conviver com a futura CBS e o IBS. 
  1. Desempenho do setor nos próximos anos 
  1. Evolução do déficit comercial de produtos químicos. 
  1. Nível de utilização da capacidade instalada. 
  1. Volume de novos projetos anunciados com base no programa. 

A aprovação do incentivo fiscal à indústria química via Presiq marca um movimento de política industrial mais focado em modernização, competitividade e sustentabilidade do setor. Para o público de negócios, investidores e profissionais que acompanham a indústria, entender desde já a lógica do programa, prazos, limites, contrapartidas e impactos esperados, ajuda a antecipar oportunidades e riscos em um segmento que influencia praticamente toda a economia brasileira. 

O que acompanhar a partir de agora

Embora o texto final ainda dependa da sanção presidencial e de regulamentações, o desenho atual favorece: 

  • Indústrias químicas de base (petroquímica, intermediários químicos, resinas, solventes etc.), que usam grandes volumes de insumos elegíveis aos créditos. 
  • Empresas com planos robustos de investimento em modernização de plantas, eficiência energética e tecnologias de menor emissão de carbono. 
  • Companhias instaladas em regiões com maior ociosidade e potencial de expansão, especialmente Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

Para empresas do setor, alguns pontos tendem a ser decisivos: 

  • capacidade de comprovar investimentos adicionais e não apenas manutenção do que já existe; 
  • aderência a metas ambientais e de descarbonização, alinhadas à lógica de sustentabilidade do programa; 
  • organização tributária e contábil para aproveitar de forma eficiente os créditos de IRPJ e CSLL. 

 

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