A área tributária tem sido diretamente impactada pelo aumento da complexidade regulatória, pelo crescimento do volume de dados e pela digitalização acelerada da fiscalização. Nesse cenário, a tecnologia aplicada ao Tax passa a ocupar um papel central na organização das rotinas fiscais, no controle de riscos e na busca por maior eficiência operacional.
Segundo dados do Banco Mundial, empresas no Brasil chegam a dedicar mais de 1.500 horas por ano ao cumprimento de obrigações tributárias. Esse nível de esforço torna difícil sustentar modelos baseados em processos manuais, planilhas isoladas e baixa integração entre sistemas.
A evolução do Tax diante da complexidade regulatória
Historicamente, o departamento fiscal esteve associado a atividades repetitivas e pouco integradas a outras áreas da empresa. Com mudanças frequentes na legislação e aumento das exigências acessórias, esse modelo passou a gerar gargalos operacionais e maior exposição a erros.
Pesquisas da EY indicam que mais de 60% das lideranças fiscais apontam a complexidade regulatória como o principal fator de aumento de custos na área tributária. Esse contexto tem levado empresas a repensarem seus processos e a adotarem soluções tecnológicas específicas para o Tax.
O papel dos dados na gestão fiscal
O uso estruturado de dados fiscais é um dos pilares da transformação do Tax. Sistemas integrados a ERPs permitem consolidar informações de notas fiscais, apurações de tributos e registros contábeis em uma única base, aumentando a confiabilidade das análises.
De acordo com a KPMG, cerca de 70% das empresas globais já utilizam algum nível de analytics aplicado à área tributária, embora menos de 25% afirmem ter dados fiscais totalmente integrados. Esse cenário evidencia o potencial de ganho para organizações que avançam na maturidade de dados, especialmente na identificação de inconsistências e no suporte a decisões fiscais mais bem fundamentadas.
Automação fiscal e ganho de eficiência operacional
A automação tem sido amplamente utilizada para padronizar rotinas e reduzir esforços manuais. Ferramentas de RPA e softwares fiscais especializados permitem automatizar tarefas como validação de documentos, classificação de operações, cálculo de tributos e geração de obrigações acessórias.
Estudos da PwC mostram que empresas que adotam automação em processos fiscais conseguem reduzir entre 20% e 30% o tempo dedicado a atividades operacionais. Além disso, a Deloitte aponta que organizações com maior maturidade digital no Tax apresentam até 40% menos ajustes fiscais após o fechamento, o que melhora previsibilidade e controle.
Analytics e inteligência aplicada ao Tax
Além da automação, o uso de analytics avançado e inteligência artificial tem ampliado a capacidade analítica da área fiscal. A partir do cruzamento de grandes volumes de dados históricos, essas ferramentas ajudam a identificar padrões de risco, oportunidades de recuperação de créditos e impactos de alterações legislativas.
Estudos de mercado indicam que análises orientadas por dados podem aumentar em até 15% a identificação de créditos tributários, especialmente em empresas com alta volumetria de transações e operações complexas.
Impactos na governança e no compliance
A tecnologia aplicada ao Tax também contribui para o fortalecimento da governança tributária. Processos automatizados, com trilhas de auditoria e controles padronizados, aumentam a rastreabilidade das informações e facilitam o atendimento a auditorias e fiscalizações digitais, como SPED e cruzamentos eletrônicos.
Em um ambiente de fiscalização cada vez mais orientado por dados, a adoção de soluções tecnológicas deixa de ser apenas uma iniciativa de eficiência e passa a fazer parte da estratégia de mitigação de riscos fiscais.
A combinação entre dados estruturados, automação e analytics permite que a área de Tax atue de forma mais organizada, previsível e alinhada às exigências regulatórias atuais. Quando bem planejada, essa transformação reduz custos operacionais, melhora a qualidade das informações fiscais e amplia a capacidade analítica das equipes, reposicionando o Tax como uma função relevante para a gestão do negócio.





