A governança tributária tem se consolidado como um tema relevante para empresas inovadoras que operam em um ambiente fiscal marcado por alta complexidade normativa e crescente digitalização da fiscalização. Startups, scale-ups e companhias em expansão lidam com múltiplos tributos, regimes especiais, incentivos fiscais e operações em diferentes estados, o que amplia a necessidade de controles mais estruturados e decisões tributárias baseadas em critérios técnicos.
No contexto brasileiro, essa preocupação é ainda mais evidente. Estudos do Banco Mundial apontam que empresas no país podem gastar mais de 1.400 horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias, um volume significativamente superior à média de economias mais maduras. Para negócios orientados à inovação e ao crescimento acelerado, esse custo operacional tende a gerar riscos adicionais quando a gestão de Tax não acompanha a complexidade do negócio.
Complexidade fiscal e aumento da exposição a riscos
Além da carga administrativa elevada, as empresas precisam lidar com um grande número de obrigações acessórias. Considerando tributos federais, estaduais e municipais, não é incomum que organizações tenham de cumprir dezenas de declarações e reportes distintos, muitos deles com informações cruzadas eletronicamente pelo Fisco. Esse cenário aumenta a probabilidade de inconsistências, autuações e questionamentos fiscais, especialmente quando não há integração entre áreas como contabilidade, financeiro, jurídico e tecnologia.
Dados de fiscalizações realizadas pela Receita Federal mostram que uma parcela relevante dos autos de infração decorre de falhas operacionais, erros de interpretação da legislação ou inconsistências em obrigações acessórias, e não necessariamente de planejamentos tributários agressivos. Para empresas inovadoras, esse tipo de passivo pode comprometer fluxo de caixa, previsibilidade financeira e planos de expansão.
Profissionalização da gestão de Tax como resposta estratégica
Segundo estudos da Confederação Nacional da Indústria, cerca de 70% das indústrias brasileiras ainda se encontram em estágios iniciais de digitalização. Isso abre espaço para projetos de Indústria 4.0 que, quando desenvolvidos internamente, podem se enquadrar na Lei do Bem.
Na prática, são recorrentes projetos elegíveis como o desenvolvimento de sistemas de manufatura avançada com integração entre máquinas e softwares, soluções próprias de internet das coisas industriais, modelos de inteligência artificial aplicados à produção e automações complexas que exigem simulações e testes contínuos. Esses projetos costumam aparecer com maior frequência em setores como manufatura, agroindústria, energia, química e bens de capital, que concentram boa parte dos investimentos em P&D industrial no país.
Tecnologia e integração como pilares da governança tributária
A digitalização do sistema tributário brasileiro, com iniciativas como SPED, eSocial e o uso intensivo de cruzamento de dados, também reforça a necessidade de uma gestão de Tax mais estruturada. Empresas que investem em automação fiscal e integração de dados reduzem a dependência de processos manuais, diminuem o risco de erros recorrentes e ganham visibilidade sobre sua posição tributária em tempo mais próximo do real.
Nesse sentido, a governança tributária passa a ser vista como um componente de sustentação do crescimento, permitindo que a área de Tax atue de forma mais alinhada à estratégia da empresa, com foco em conformidade, previsibilidade e suporte à tomada de decisão.






