Em 2026, o Brasil passa a tratar a criatividade como eixo estruturante da agenda de inovação, ampliando o debate que tradicionalmente se concentra em tecnologia, digitalização e P&D. A proposta do “Ano da Criatividade” surge em um cenário no qual competitividade e crescimento econômico dependem cada vez mais de capacidades organizacionais, culturais e humanas, além da adoção de soluções tecnológicas.
Essa abordagem dialoga com mudanças observadas em economias que buscam diversificar suas fontes de valor, conectando criatividade, produtividade e desenvolvimento econômico de forma mais integrada.
Criatividade como vetor econômico no Brasil
A economia criativa já apresenta relevância mensurável. Dados da Unesco indicam que o setor responde por cerca de 3% do PIB global e cresce, em média, acima da economia tradicional. No Brasil, segundo o Observatório Itaú Cultural, as atividades criativas empregam mais de 7 milhões de pessoas, considerando vínculos diretos e indiretos.
Esses números mostram que criatividade não se limita a expressões culturais, mas envolve cadeias produtivas completas, com impacto sobre renda, emprego e dinamismo econômico. Ao destacar 2026 como o “Ano da Criatividade”, o Brasil sinaliza a intenção de integrar esse potencial a políticas públicas e estratégias empresariais mais amplas.
Inovação além da tecnologia: uma visão mais ampla
No contexto brasileiro, grande parte das inovações ocorre sem envolvimento direto de tecnologias avançadas. Pesquisas nacionais de inovação mostram que mudanças em processos, organização e modelos de negócio são mais frequentes do que inovações estritamente tecnológicas em muitas empresas.
A criatividade atua como elemento central nesse movimento, permitindo que organizações combinem conhecimento técnico, experiência prática e leitura de contexto para gerar soluções aplicáveis. Isso reforça uma visão de inovação mais sistêmica, na qual tecnologia é um meio relevante, mas não exclusivo.
Impactos para empresas e gestores
Para empresas, o “Ano da Criatividade” reforça tendências já observadas no mercado. Setores como audiovisual, publicidade, design, arquitetura, moda, games e serviços criativos digitais apresentam forte efeito multiplicador, influenciando cadeias industriais, de serviços e de consumo.
Além disso, cresce a atenção a instrumentos de fomento que dialogam com criatividade aplicada, como editais públicos, incentivos fiscais e programas de inovação que não se restringem ao desenvolvimento tecnológico. Esse cenário amplia oportunidades para organizações que buscam inovar em produtos, serviços e formas de operação.
Criatividade como competência estratégica
A criatividade também passa a ser tratada como competência estratégica. Estudos internacionais sobre o futuro do trabalho apontam a capacidade criativa como uma das habilidades mais demandadas em ambientes marcados por incerteza e complexidade. Para as organizações, isso se traduz na valorização de equipes multidisciplinares, maior autonomia decisória e estruturas mais flexíveis.
No Brasil, o desafio está em transformar o reconhecimento da criatividade em práticas consistentes, conectando educação, gestão e políticas de inovação. Para empresas e gestores, 2026 representa uma oportunidade de reposicionar a inovação como um processo contínuo, ligado à estratégia e à geração de valor econômico.





