A escolha entre inovação incremental e inovação disruptiva costuma surgir quando a empresa busca crescer, proteger margens ou responder a mudanças no mercado, mas precisa fazê-lo de forma estruturada e alinhada à sua capacidade de execução. Embora frequentemente tratadas como abordagens opostas, elas atendem a objetivos distintos e demandam níveis diferentes de investimento, risco e governança.
Pesquisas globais mostram que mais de 80% dos executivos colocam inovação entre as três principais prioridades estratégicas, enquanto menos de 5% afirmam ter alta maturidade para executá-la de forma consistente. Esse descompasso indica que o desafio não está apenas em inovar, mas em escolher onde concentrar esforços e como estruturar o portfólio de iniciativas.
Inovação incremental: eficiência, previsibilidade e impacto direto no resultado
A inovação incremental está relacionada à melhoria contínua de produtos, serviços, processos e modelos já existentes. Seu foco é aumentar eficiência, qualidade, produtividade e percepção de valor, sem alterar de forma profunda a lógica central do negócio.
Estudos indicam que, em muitos setores, mais de 60% da receita gerada por inovação vem de versões aprimoradas de produtos e serviços já conhecidos, e não de soluções totalmente novas. Isso explica por que a inovação incremental costuma ser dominante em empresas com base de clientes consolidada, operações complexas e pressão constante por resultados de curto e médio prazo.
Ela faz mais sentido quando a organização busca ganhos mensuráveis, ciclos de implementação mais curtos e maior previsibilidade de retorno, especialmente em mercados onde a diferenciação está ligada à performance, confiabilidade, custo total e experiência do cliente.
Inovação disruptiva: criação de novas fontes de valor em cenários de incerteza
A inovação disruptiva, muitas vezes associada à inovação radical, envolve propostas com maior grau de novidade, incerteza e potencial de alterar mercados, modelos de negócio ou formas de captura de valor. Essas iniciativas geralmente começam em nichos específicos, atendendo necessidades ainda pouco exploradas, e podem evoluir para competir com soluções estabelecidas.
Dados recorrentes mostram que entre 70% e 90% das iniciativas de inovação radical não atingem escala comercial, o que reforça a necessidade de tratá-las como experimentos controlados, com hipóteses claras, investimentos faseados e métricas orientadas a aprendizado. Apesar do risco elevado, esse tipo de inovação se torna relevante quando há sinais de commoditização do core, mudanças tecnológicas aceleradas ou oportunidades concretas de criar novos negócios adjacentes.
Portfólio de inovação: o equilíbrio entre risco e retorno
Empresas com melhor desempenho em crescimento tendem a adotar uma abordagem de portfólio. Estudos de mercado indicam que organizações mais maduras alocam, em média, cerca de 70% dos recursos em inovação incremental, 20% em inovações adjacentes e aproximadamente 10% em iniciativas mais transformacionais. Esse equilíbrio permite sustentar resultados no curto prazo enquanto se constrói capacidade para o futuro.
Tratar inovação como portfólio ajuda a reduzir o risco de apostas isoladas e evita tanto a dependência excessiva de melhorias incrementais quanto a exposição exagerada a projetos de alta incerteza.
Como decidir o mix mais adequado para sua empresa
A decisão passa menos por escolher um único caminho e mais por entender:
- os objetivos estratégicos dos próximos 12 a 24 meses, como eficiência, crescimento ou diversificação;
- o nível de clareza sobre o problema a ser resolvido e a solução disponível;
- a capacidade financeira e organizacional para lidar com risco e experimentação;
- a existência de estruturas e métricas adequadas para ritmos diferentes de inovação.
Empresas que alinham esses fatores tendem a transformar inovação em prática recorrente, e não em iniciativas pontuais.
A discussão entre inovação incremental e inovação disruptiva ganha mais valor quando baseada em dados e contexto empresarial. A inovação incremental sustenta competitividade e eficiência, enquanto a inovação disruptiva prepara a organização para mudanças estruturais e novas oportunidades de crescimento. Para a maioria das empresas, o caminho mais consistente está na combinação equilibrada dessas abordagens, com governança clara, métricas adequadas e foco em execução contínua.






