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Os dados de patentes globais de energia mostram que a liderança tecnológica na transição energética está concentrada em poucos países, com destaque para a China, que soma mais de 5 milhões de registros entre 2000 e 2024, seguida por Estados Unidos e Japão. A evolução histórica indica mudanças relevantes, como a China assumindo a liderança a partir de 2008, e aponta que o avanço tecnológico está fortemente ligado a capacidade de P&D, escala industrial e políticas consistentes de inovação. O Brasil surge como contraponto, com participação menor no total mundial e queda contínua de registros após o pico de 2010–2011, embora mantenha alinhamento setorial às tendências globais.
tecnologias da transição energética

A corrida global pela liderança em tecnologias da transição energética: o que os dados de patentes revelam 

A transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ocupar um espaço central nas estratégias industriais e de competitividade de países e empresas. Uma forma direta de observar essa movimentação é acompanhar os dados de patentes, porque eles mostram onde a inovação está sendo registrada, em que volume, com que velocidade e com qual concentração entre os principais atores. Quando o número de patentes cresce rapidamente em um setor, isso normalmente indica aumento de investimento em P&D, consolidação de cadeias produtivas e disputa por domínio tecnológico em áreas com potencial de mercado. 

Entre 2000 e 2024, os registros de patentes relacionados a tecnologias habilitadoras da transição energética cresceram de forma consistente no mundo, e o movimento ocorreu com liderança clara de poucos países. Esse padrão ajuda a entender por que a competição tecnológica em energia limpa está cada vez mais conectada a políticas industriais, capacidade de escala e estratégias de longo prazo. 

O que os dados de patentes mostram sobre a liderança global

Os dados indicam forte concentração. A China registrou mais de 5 milhões de patentes no período, cerca de 57% do total mundial. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com pouco mais de 1 milhão de depósitos, aproximadamente 12%, seguidos pelo Japão, com cerca de 900 mil registros, em torno de 10%. Em outras palavras, três países concentram a maior parte da propriedade intelectual associada às tecnologias habilitadoras da transição energética. 

Esse volume não significa apenas que esses países pesquisam mais, mas também que conseguem transformar pesquisa em ativos de propriedade intelectual de forma sistemática. Ao longo do tempo, isso tende a gerar vantagens em manufatura, componentes críticos, padronização tecnológica, exportação e capacidade de atrair empresas e talentos para o ecossistema. 

Para quem precisa de uma visão mais detalhada do ranking de países e da evolução histórica, o short study organiza os dados e facilita a leitura do cenário internacional de 2000 a 2024. 

Baixe o short study para acessar o ranking de patentes por país e a evolução completa do período. 

Como a liderança mudou ao longo do tempo

No início dos anos 2000, Japão e Estados Unidos apareciam na liderança dos registros de patentes em energia limpa. A China, que estava em posições mais baixas no começo da série, acelerou de forma rápida e constante e, a partir de 2008, assumiu a liderança global em inovação voltada à transição energética. Esse tipo de virada, quando observado via patentes, costuma estar associado a políticas de inovação com continuidade, foco em setores prioritários e estrutura de incentivo capaz de manter o crescimento por muitos anos. 

A leitura histórica é importante porque mostra que liderança tecnológica não se consolida apenas por um pico de investimento, e sim por consistência, previsibilidade e capacidade de ampliar escala. Em setores ligados à transição energética, a escala é particularmente relevante, porque envolve infraestrutura, redes, indústria de equipamentos, matérias-primas e cadeias de suprimento integradas. 

Em quais áreas tecnológicas essa disputa se concentra

Os registros de patentes relacionados à transição energética se concentram principalmente no setor de energia elétrica, seguido por indústria e transporte. Esse padrão reforça que boa parte da disputa global passa por eletrificação, armazenamento, redes, eficiência e soluções industriais que reduzem emissões, além de tecnologias que transformam a mobilidade e a logística. A distribuição por setores também ajuda a explicar por que países com base industrial forte e políticas coordenadas tendem a registrar volumes maiores, já que as aplicações são amplas, escaláveis e conectadas ao crescimento econômico. 

O Brasil como contraponto nos dados globais

O Brasil aparece na décima posição no volume de patentes relacionadas a tecnologias habilitadoras da transição energética entre 2000 e 2024. O país registrou pouco mais de 70 mil patentes no período, equivalente a 0,8% do total mundial. Esse dado chama atenção porque o Brasil tem uma matriz energética relativamente mais limpa do que a média global e uma trajetória relevante em algumas tecnologias, mas isso não se traduz em participação proporcional no registro de propriedade intelectual. 

A série histórica também mostra um comportamento específico. O Brasil teve seu melhor resultado entre 2010 e 2011, quando superou 5 mil registros anuais, e desde então o volume de patentes vem caindo de forma contínua. Ainda assim, o país permanece alinhado às tendências tecnológicas globais, com maior parte dos registros em energia elétrica, seguida por indústria e transporte, o que sugere que o desafio está mais ligado ao ritmo e à sustentação do esforço de inovação do que à escolha de direção tecnológica. 

Para entender melhor essa curva, o pico de 2010–2011 e a queda posterior, o short study apresenta a evolução anual do Brasil em comparação com os países líderes, além do recorte setorial. 

Baixe o short study para ver a trajetória do Brasil no período, com gráficos comparativos e recorte por setor. 

Por que essa leitura importa para quem acompanha energia e inovação

A corrida global por liderança tecnológica em energia limpa é, ao mesmo tempo, uma disputa por competitividade industrial. Patentes ajudam a observar quem está investindo mais, quem está conseguindo ampliar escala e quais áreas concentram maior densidade de inovação. Para governos, esse acompanhamento aponta caminhos para política de P&D, incentivos e prioridades setoriais. Para empresas, ele orienta análise de concorrência, rotas tecnológicas e oportunidades de parceria. Para quem atua com investimento e estratégia, patentes servem como um indicador objetivo de onde a inovação está sendo construída, e de quais países e setores podem capturar maior valor no avanço da transição energética. 

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