A transição energética ganhou escala porque países e empresas passaram a investir em tecnologias capazes de reduzir emissões, aumentar eficiência e substituir fontes fósseis por alternativas mais limpas. Nesse cenário, as patentes se tornaram um dos indicadores mais usados para acompanhar onde a inovação está acontecendo, com que velocidade ela avança e quais atores conseguem transformar pesquisa em soluções com aplicação prática.
Uma patente não é apenas um registro burocrático. Ela sinaliza que houve um esforço estruturado de pesquisa e desenvolvimento, que o conhecimento foi organizado em uma solução nova e que existe intenção de uso comercial ou industrial. Por isso, quando o volume de patentes cresce em um conjunto de tecnologias, normalmente também cresce a disputa por liderança, investimentos em P&D e a formação de cadeias produtivas associadas.
O que as patentes medem na prática
Patentes funcionam como uma espécie de “rastro documentado” da inovação. Elas ajudam a observar, com dados comparáveis ao longo do tempo, três dimensões relevantes:
- Capacidade tecnológica, porque indica que instituições e empresas estão conseguindo desenvolver soluções que atendem critérios de novidade e aplicabilidade.
- Prioridade econômica e estratégica, porque proteger conhecimento tende a fazer sentido quando há perspectiva de mercado, competitividade e escala.
- Maturidade do ecossistema de inovação, já que registros consistentes dependem de investimento, infraestrutura de pesquisa, capital humano e articulação entre setor público e privado.
Na transição energética, isso é especialmente útil porque o tema envolve diversas frentes ao mesmo tempo, como eletrificação, eficiência industrial, novos combustíveis, armazenamento, redes e tecnologias aplicadas ao transporte, e nem sempre os avanços aparecem de forma clara apenas olhando para geração de energia ou para metas climáticas.
O avanço acelerado desde 2000 e a concentração em poucos líderes
Os registros de patentes relacionados a tecnologias habilitadoras da transição energética cresceram de forma consistente nas últimas duas décadas, com aceleração ao longo do período entre 2000 e 2024. Quando se observa a distribuição global, a concentração é alta: a China somou mais de 5 milhões de registros no período, cerca de 57% do total mundial, enquanto os Estados Unidos registraram pouco mais de 1 milhão, aproximadamente 12%, e o Japão acumulou cerca de 900 mil, em torno de 10%.
Essa concentração indica que inovação não depende apenas de demanda por energia limpa, mas também de estratégia industrial, continuidade de políticas de inovação e capacidade de transformar pesquisa em propriedade intelectual e produtos. Em geral, quanto maior a capacidade de registrar patentes em volume e de forma recorrente, maior é a probabilidade de o país liderar etapas da cadeia, como fabricação de equipamentos, domínio de componentes críticos e exportação de tecnologia.
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Patentes mostram tendências tecnológicas, não apenas “quem está na frente”
Além de ranquear países, patentes ajudam a identificar tendências, porque cada registro está ligado a classes tecnológicas e aplicações. No recorte analisado, a maior parte das patentes se concentra no setor de energia elétrica, seguido por indústria e transporte, um padrão que aparece tanto no cenário global quanto no Brasil. Isso aponta para um aspecto importante: a transição energética é, em grande parte, uma transição tecnológica aplicada à eletrificação, ao aumento de eficiência e à modernização de processos produtivos, e não apenas à troca de uma fonte por outra.
Quando esse tipo de dado é acompanhado ao longo de anos, ele também permite ver mudanças de direção, ciclos de aceleração, entrada de novos atores e áreas onde há maior competição, o que pode orientar políticas públicas, decisões corporativas e prioridades de investimento.
E o que os dados sugerem sobre o Brasil
O Brasil aparece na décima posição no volume de patentes relacionadas a tecnologias habilitadoras da transição energética entre 2000 e 2024, com pouco mais de 70 mil registros, cerca de 0,8% do total mundial. Um ponto que chama atenção é a trajetória: o país teve um desempenho expressivo em 2010 e 2011, quando superou 5 mil registros anuais e atingiu seu melhor resultado histórico, mas desde então os depósitos vêm caindo de forma contínua.
Mesmo com essa queda, o país segue alinhado às tendências tecnológicas principais, com maior volume de registros em energia elétrica e presença relevante em indústria e transporte. Isso sugere que o desafio não é apenas escolher os temas certos, mas manter ritmo, continuidade e instrumentos que sustentem inovação ao longo do tempo.
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Por que esse indicador importa para empresas, governo e investidores
Para quem atua no setor público, patentes ajudam a medir se políticas de P&D e inovação estão se refletindo em resultados concretos, além de apontar áreas onde o país está perdendo participação. Para empresas, o monitoramento de patentes permite acompanhar rotas tecnológicas, mapear competição e identificar oportunidades de parceria ou de diferenciação. Para investidores, patentes aparecem como sinal de pipeline tecnológico e capacidade de captura de valor em mercados que crescem com a agenda de descarbonização.
No contexto da transição energética global, acompanhar patentes não é apenas olhar para o passado, mas entender onde estão se formando capacidades produtivas e quais países tendem a dominar tecnologias que vão definir competitividade industrial nos próximos anos.
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